A miopia seletiva do governo brasileiro para a América Latina

Esta semana o deputado Dr. Rosinha (PT-PR) apresentou uma moção na Câmara para manifestar preocupação com a utilização das bases colombianas pelos Estados Unidos. É o fiel retrato da falta de imparcialidade. Se existe agressão, vamos tomar a posição de frear, de enfrentar tanto os movimentos da Colômbia quanto os da Venezuela. Agora, o que é inaceitável, inadmissível, é o ditador venezuelano Hugo Chávez se dar ao luxo de oferecer bases à Rússia e ao Irã, fechar 34 emissoras de rádio, ameaçar desligar a transmissão de outras 240 e ainda tirar do ar 45 canais de TV. E vemos ainda o governo defender a entrada do país comandado pelo amigo do presidente Lula no Mercosul.

Não ouvimos a voz atônita do PT em relação ao “companheiro” Chávez, mas nos ensurdecemos com as gritarias contra a Colômbia. É a velha guerra que existe apenas na cabeça de quem não evoluiu, não se modernizou, entre esquerda e direita, socialismo e capitalismo. O mundo é mais complexo do que apenas dois lados. É preocupante sim as bases americanas na Colômbia, mas não devemos deturpar a realidade. Quem fala pelo governo brasileiro? O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, aquele que diz: “Não, isso (censura na Venezuela) é assunto interno, e, quando estive lá há poucos dias, eu vi realmente toda a imprensa funcionando.” Que desculpa esfarrapada, sem o menor interesse de realmente discutir as coisas como elas são. Precisamos debater aqui como é a vida na Venezuela, como também na Colômbia. Esse é o jogo.

Quando os veículos de comunicação são fechados na Venezuela, com a máquina do poder para escorraçar os seus adversários, perseguir, tripudiar sobre aqueles que lá estão, a luta que há tempos a América Latina vem tendo contra as injustiças, corrupção e subdesenvolvimento, se vê ameaçada. Esse é o debate que tem de ser trazido para a Câmara dos Deputados. E, aí sim, vamos colocar o Brasil não apenas como o maior País do continente. Não com esse representante do Governo do PT, Marco Aurélio, que chega à Colômbia e vê todos os defeitos, mas, ao caminhar entre os amigos da Venezuela, não vê problema algum.

As armas de Hugo Chávez foram encontradas nas mãos de guerrilheiros, na verdade, terroristas das FARCs. Que coincidência! Compradas justamente pela Venezuela. Aí não tem problema algum? Na entrada dos venezuelanos das FARCs no Brasil para treinar os movimentos do MST no País também não? Não é ingerência aqui no Brasil? Estimulam as invasões, preparam guerrilheiros para agredir não só propriedades privadas mas prédios públicos. Para isso todos fecham os olhos? Não. Então, vamos dissecar a fundo tudo o que realmente o Brasil tem que discutir. É com a soberania brasileira que a oposição está totalmente de acordo.

Ronaldo Caiado é líder do Democratas na Câmara Federal

Artigo publicado no Diário da Manhã em 2009