O mestre da política

A política partidária é um campo interesse para análise. E, principalmente, quando os principais agentes estão na ação intensa e conduzindo os movimentos entre as forças. É por isso, que há políticos, militantes, representantes e os líderes.

O líder é a expressão máxima de uma sigla. É no contorno da ação dele que está boa parte da estratégia do partido político. Faço esta introdução para abordar a decisão do deputado Ronaldo Caiado na Convenção do DEMOCRATAS. Alí, apareceu um “mestre da política”.

Não é nenhuma novidade, dizer que a imagens dos Caiados sempre esteve aliada ao uso da força, da radicalidade, da imposição e do medo. Muitas pessoas falam que o deputado Ronaldo Caiado consegue expressar esta imagem dos antepassados.

Já previa, nos comentários que fiz pela Rádio 730, que Caiado faria um discurso que valeria a pena prestar atenção. Dito e feito.

Por que o deputado Ronaldo Caiado renunciou à disputa, discordou da aliança com o PSDB e preferia anunciar que enfrentará a campanha sozinho? Se fosse defender outra proposta diferente da aliança com os peessedebistas, iria perder e, de quebra, contrariaria uma boa parte do DEM.

Caiado conduziu a votação para definição das candidaturas e, a partir do momento que os convencionais iriam aprovar a aliança com o PSDB, ele se retirou. O deputado mostrou que era contra a aliança, mas curvou-se diante da vontade da maioria do partido e dá uma lição democrática, na contramão da imagem dos “Caiados”.

Ao pontuar a contrariedade pessoal da aliança com o PSDB, Ronaldo Caiado mantém a coerência política com todo o discurso que fez recentemente. Principalmente, no tocante a Marconi Perillo. Está exposto, Caiado não confia no peessedebista.

Ao mesmo tempo, agora, o presidente do DEM parte para uma campanha eleitoral em que ninguém no partido vai ter a ousadia e nem a coragem de questionar a posição pessoal dele. Afinal, ele deixou o partido fazer uma aliança, apesar de contrariado.

Não há dúvida de que Caiado está concentrado na tentativa de fortalecer o DEM e ele não admite qualquer tipo de ação que possa diminuir o partido. Se tivesse agido com força, de forma autoritária, para impedir a aliança com o PSDB, talvez tivesse que passar por um bom tempo na administração de uma dissidência.

O DEM tem problemas na manutenção de suas estruturas de poder, está perdendo espaço continuamente no legislativo. Na Convenção, Caiado fez um o que um grande líder faria, renunciar, dar passos atrás, para não dividir e nem diminuir o partido.

No fundo, a Convenção do DEM, que seria uma grande derrota para Caiado, acabou como o fato político mais importante da semana, e ele com a independência para trilhar o caminho que pensa ser melhor nesta eleição.

No fundo, deve ter-lhe doído a alma o momento que saiu da Convenção, no auditório da Camara de Goiânia, e entrava Marconi Perillo para receber aplausos como candidato.

Ronaldo Caiado pode ter pedido uma batalha, mas não pense que a guerra acabou. O líder está livre para enfrentar o eleitor e justificar a campanha solitária. Cada vez que ele explicar o caso, o PSDB e Marconi serão o alvo.

Caiado não é de ficar em cima do muro. Ele vai ter um lado nesta eleição. Como um mestre, sabe os passos que dá.

FONTE: Blog do Altair Tavares – Portal 730

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