Caiado afirma que Goiás não será “lixão do país”

Foi realizada no Auditório 7, da Câmara Federal, em Brasília, a audiência pública que discutiu a possibilidade do município de Abadia de Goiás receber o lixo nuclear das usinas de Angra 1 e Angra 2, no Rio de Janeiro. A reunião, promovida pelo deputado federal goiano Ronaldo Caiado (DEM), foi proposta depois que surgiram notícias de que o lixo radioativo poderia ser levado para o depósito goiano que já abriga os rejeitos do césio 137.

Participaram da audiência, além do deputado federal Ronaldo Caiado; o vice-governador José Eliton; o secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Leonardo Vilela (PSDB); o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias Gonçalves; o deputado estadual Helio de Sousa (DEM) e os deputados federais João Campos (PSDB); Dona Iris (PMDB); Flávia Moraes (PDT); e Marina Sant’Anna (PT).

O encontro teve a presença ainda do diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Comissão Nacional de Energia Nuclear, Marcos Nogueira Martins; do assistente do Diretor Presidente da Eletronuclear – Eletrobrás Termonuclear S.A. ,Leonam dos Santos Guimarães e do coordenador regional da CNEN, Leonardo Bastos Lage, responsável pelo depósito de Abadia de Goiás.

A reunião foi aberta pelo vice-presidente da Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara, deputado Dr. Paulo César (PR-RJ). O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias Gonçalves, apresentou na oportunidade alguns esclarecimentos sobre a questão.

Esclarecimentos

Odair ressaltou primeiramente que o investimento em Abadia de Goiás só seria feito com o consentimento da sociedade. “Se a população não quiser esse lixo simplesmente não irá para a cidade. O que temos certeza é que precisamos de um depósito, e em um primeiro instante todo município brasileiro é candidato. Quando citamos como possível cidade o município de Abadia é porque o mesmo é referência mundial neste tema”, disse.

O presidente informou que o País pretende começar a construir a estrutura até 2016 e alguns critérios como terreno estável, não estar sujeitos a inundações e fácil acessibilidade são fatores fundamentais. “Estes quesitos são encontrados na cidade goiana que a tornam uma possibilidade para a instalação do depósito”.

Segundo Odair o depósito não seria utilizado para combustível, que é de alta atividade e sim para resíduos de operação como filtros, e materiais utilizados no manejo das usinas, de média e baixa atividade. “O que posso informar é que nunca, no mundo, houve acidente com esse tipo de material para o qual o depósito será construído”.

O assistente do diretor presidente da Eletronuclear – Eletrobrás Termonuclear S.A., Leonam dos Santos Guimarães, informou que, ao contrário do que foi colocado no tema da audiência sobre a construção de depósito nuclear em Abadia de Goiás, o mesmo será criado no País, não apenas para receber rejeitos de Angra 1 e Angra 2 e sim de todo lixo produzido no Brasil.

“O depósito que o País necessita criar, e que está em pauta na reunião, não irá atender apenas as Usinas de Angra 1 e 2. Ainda que sejam as maiores produtoras deste tipo de lixo, o depósito irá receber todo o lixo radioativo produzido nas atividades no País, portanto ainda que sejam as maiores não serão as únicas”, informou Leonam.Marcos Nogueira Martins, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Comissão Nacional de Energia Nuclear, destacou que o esgotamento dos depósitos brasileiros para resíduos nucleares se dará em 2020.

De acordo com o diretor de pesquisa, os depósitos se encontram atualmente com 2.600 metros cúbicos de rejeitos de baixo e médio nível de atividade e que as Usinas de Angra 1 e 2 produzem anualmente 138 metros cúbicos e deverão gerar mais 5.000 metros cúbicos até o final de suas vidas úteis.
Marcos citou ainda o projeto para atender as necessidades do País em termos de depósito de resíduos nestas características. “O projeto seria de um depósito com capacidade para 60 mil metros cúbicos o que daria para guardar rejeitos de sete centrais nucleares”, informou. Marcos citou também que para a instalação a aceitação pública é quesito fundamental na área nuclear.

Leonardo Vilela

O secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Leonardo Vilela (PSDB), disse que o Estado de Goiás não aceitará a instalação do depósito de lixo nuclear na cidade de Abadia de Goiás por três motivos.

Segundo o secretário o primeiro deles se dá pelo fato de que o depósito, atualmente existente no município, foi construído única e exclusivamente para abrigar os resíduos do acidente ocorrido com o Césio-137, em Goiânia.

O segundo motivo se dá porque a Constituição não permite e finalmente o terceiro e mais importante motivo, segundo o secretário, é pelo fato de que a população não quer.
“O momento é de rejeitar a proposta e questionar eventuais projetos da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Entendemos que o Parque Telma Ortegal deve ser exemplo ambiental para o Brasil. Queremos é que o estigma do lixo nuclear seja varrido de Abadia de Goiás, cidade que pode e deve receber mais investimentos e indústrias, e a sociedade goiana não aceitará a ampliação do depósito lá existente”.

Ronaldo Caiado

O propositor da audiência pública que na manhã desta quinta-feira, 16, debate a possibilidade do município de Abadia de Goiás receber o lixo nuclear das usinas de Angra 1 e Angra 2, deputado Ronaldo Caiado (DEM), apresentou na oportunidade seu posicionamento sobre a questão.

Segundo o parlamentar, Abadia de Goiás já abriga os dejetos contaminados de césio-137 resultantes de um acidente que ocorreu em Goiás e cujos resíduos foram assumidos pelo próprio Estado, fato que não o credencia para se tornar destino de todo lixo radioativo produzido no Brasil. “Só porque desenvolvemos a maneira de armazenar o material aqui produzido, o Estado não pode virar depósito de lixo atômico de todo o País”.

Caiado afirmou que se depender da sociedade goiana a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) irá receber sempre uma negativa em relação ao assunto. “Goiás já viveu uma experiência de acidente nuclear e inclusive sofreu muito com isso e até hoje não tem o respaldo necessário para enfrentar a questão. O CNEN não pode expor os goianos a lixo atômico produzido pelas usinas do País”, criticou o deputado.

O parlamentar disse que a questão nuclear possui seus entusiastas, os órgãos reguladores e responsáveis, mas nenhum destes tem poder sobre as consequências de um possível acidente nuclear. “É uma questão que tem seus responsáveis enquanto tudo está indo bem, porém depois que acontece algo é a população quem paga a fatura e neste caso com a própria vida”, alertou.

José Eliton
O vice-governador José Eliton trouxe oficialmente aos presentes, e principalmente aos membros da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a negativa oficial do Estado quanto à proposta. “Conforme tudo que aqui foi exposto, e da nossa experiência com resíduos nucleares, coloco a posição contrária do Governo do Estado de Goiás quanto à proposta de ampliação do depósito de resíduos nucleares do município de Abadia de Goiás. É uma posição clara e contrária”, disse.

Helio de Sousa

Após encerramento da audiência pública, o deputado Helio de Sousa (DEM), se disse contente com o resultado do debate. De acordo com Helio de Sousa foi possível descobrir pontos fundamentais sobre a questão.

“Em um primeiro momento saímos daqui com aumento de preocupação, já que nos foi informado que o depósito não é para receber os lixos apenas de Angra 1 e 2 e sim de todo País. Por outro lado, foi nos dada a garantia, por parte do presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias, de que antes de qualquer decisão, será realizada uma consulta popular sobre o assunto”, disse o deputado.

Helio de Sousa está satisfeito também com a representação goiana, que segundo ele, colocou posição firme contra a proposta. “Goiás esteve Bem representado. O deputado Ronaldo Caiado, o vice-governador e os demais representantes, conseguiram deixar a nossa posição aqui nesta audiência”, finalizou.

Disponível em http://www.assembleia.go.gov.br/?p=pg_noticia&id=45513. Acesso em 29/07/2011.

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Ronaldo Caiado ressalta que população de Abadia convive com o preconceito

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