Rejeito só vem após aprovação popular

Em reunião em Brasília, CNEN faz afirmações a goianos. Só que não há garantia legal de consulta à população

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) , Odair Gonçalves, garantiu ontem que a possível instalação do depósito em Abadia de Goiás, a 27 quilômetros de Goiânia, para receber rejeitos das usinas nucleares Angra 1 e 2, situadas em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro , só acontecerá com aceitação popular.

“Temos que ser claros, dizer quais os riscos e benefícios da instalação, para que a população possa optar de maneira esclarecida. E o governo federal precisa negociar modos de compensação com os locais receptores”, afirmou.

A afirmação foi feita ontem em audiência pública na Câmara dos Deputados , proposta pelo deputado federal Ronaldo Caiado (DEM), que reuniu autoridades da área de energia nuclear do governo federal, deputados da bancada goiana e representantes do governo estadual.

O vice-governador José Eliton Júnior (DEM) também esteve presente no encontro. Ele e Caiado disseram que declaração do presidente do CNEN os deixou menos preocupados, mas pontuaram que não existe nenhum termo legal que exija a consulta popular antes do empenho desse tipo de obra. “Não temos um marco legal para confirmar o que foi dito pelo presidente da CNEN. A tese que ele levanta, de que só será implantado um depósito depois de consulta popular, não existe em forma de lei”, falou Caiado.

A discussão sobre a ampliação do depósito já existente em Abadia de Goiás, onde estão armazenados os detritos do acidente radioativo ocorrido em Goiânia em 1987 com o elemento Césio 137, teve um tom quase sempre amistoso, austero e de desconfiança.

Para explicar a sondagem de Abadia de Goiás e tirar as várias dúvidas que os parlamentares manifestaram, estavam presentes, além do presidente do CNEN, o assistente do diretor-presidente da Eletronuclear – Eletrobras Termonuclear S.A., Leonam dos Santos Guimarães, e o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN, Marcos Nogueira Martins.

Método

O governador Marconi Perillo (PSDB) foi convidado. Estava em Brasília durante o evento, mas acabou por cumprir outra agenda, disse seu vice, que se posicionou contra a ampliação do depósito. “Viemos trazer a posição formal do Estado de Goiás sobre o tema. Somos contrários”, asseverou. Quem o acompanhou foram o secretário de Meio Ambiente do Estado, Leonardo Vilela (PSDB), e o deputado estadual Helio de Sousa (DEM).

Marcos Martins explicou que o lixo nuclear produzido em Angra 1 e 2 é embalado em tambores, que são armazenados em containers e vedados após estarem cheios. Esses compartimentos maiores preenchem módulos, que também passam por isolamento após estarem totalmente ocupados. Ele disse que o projeto conceitual do depósito deve ser concluído até 2014, e sua construção deve ser iniciada em 2016, para começar a receber os dejetos no ano de 2019.

“Abadia é um modelo. Inevitavelmente o local foi considerado. Serão decididos diversos locais, e reduzindo essa possibilidade de locais, nós passamos para a fase de, dentro desses locais, fazer um amplo processo de informação e discussão com o governo do estado, do município e com a população”, relatou Odair Gonçalves.

 

Marcellus Araújo – Enviado a Brasília

Deixe uma resposta

Your email address will not be published. Required fields are marked *