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Julgamento do mensalão é assepsia política

A condenação dos 38 réus no processo do mensalão não representará apenas a punição de políticos, empresários e assessores que se associaram em torno de um projeto criminoso de poder do Partido dos Trabalhadores. O julgamento será um grande marco na nossa história. A sociedade brasileira começou a assistir na última quinta-feira (2) ao início da maior assepsia política já vista no País. Tenho convicção de que essa limpeza promovida pelo Supremo Tribunal Federal vai começar a mudar a radiografia do cenário político atual no Brasil com um sistema eleitoral e práticas de governo que só tem trazido escândalos e descrença do povo em relação aos seus representantes no governo, Congresso Nacional e assembleias legislativas.

A esperança da sociedade é ver condenados os responsáveis pelo desvio de dinheiro público, pelo desrespeito a prática republicana que se exige no regime democrático. Dinheiro do povo que deveria ter sido investido no falido sistema de saúde brasileiro, na educação, na segurança. O Supremo vai deixar claro que as pessoas que usam máquina de governo para ganhar eleições no País não ficarão impunes. E a prática no processo eleitoral será aquela como fazemos no vestibular: no qual o cidadão por competência e mérito vai ocupar um cargo na Câmara dos Deputados, no Senado, nos governos, na Presidência da República, nas assembleias legislativas.

O mensalão é o símbolo do modelo petista, implantado nos últimos anos, que, tenho a expectativa, será extirpado do País a partir do resultado do julgamento conduzido pelo Supremo Tribunal Federal. E o Partido dos Trabalhadores realmente se supera a todos os momentos quando seu líder na Câmara dos Deputados, deputado Jilmar Tatto, tem a ousadia de tentar pautar o Supremo. Tatto chegou a petulância de dizer que agora não é o momento oportuno para se julgar o mensalão e, mais uma vez, como fez o PT nesses últimos sete anos, tenta negar o inegável.

Vejam que o próprio procurador-geral da República, Roberto Gurgel, define o mensalão como o “mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil”. Faço questão de citar o procurador-geral da República para mostrar que não é a oposição que coloca o mensalão no topo dos crimes de corrupção no Brasil.
Na visão de Roberto Gurgel, que concordo em cada linha, “a atuação do Supremo Tribunal Federal servirá de exemplo, verdadeiro paradigma histórico, para todo o Poder Judiciário brasileiro e, principalmente, para toda a sociedade, a fim de que os atos de corrupção, mazela desgraçada e insistentemente epidêmica no Brasil, sejam tratados com o rigor necessário”. É exatamente isso que a sociedade brasileira aguarda neste momento do Supremo.

Tenho convicção que o Brasil não se transformou numa Venezuela porque o Congresso Nacional instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito, conhecida como CPI dos Correios, que em 2006 veio a produzir as provas do mensalão. O resultado desse trabalho, veremos agora no julgamento iniciado. Que a faxina seja feita.

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