Ronaldo Caiado é contra validação automática de diplomas de médicos estrangeiros

Em audiência pública com o ministro da Saúde, o líder do Democratas afirmou que o aumento da disponibilidade de médicos deve estar atrelada a qualidade no atendimento

O líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado, se posicionou contrariamente a proposta do governo federal de incentivar a vinda de médicos estrangeiros ao Brasil com validação automática de seus diplomas. A proposta foi defendida nesta quarta-feira (3) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou de audiência pública conjunta das Comissões de Seguridade Social e Família, Defesa do Consumidor e Fiscalização Financeira e Controle.

“Não podemos vender para a sociedade a tese de que aumentando o número de médicos estrangeiros no País vamos resolver o problema da saúde. Isso cria um viés político e oportunista. Trazer médicos sem cuidar da qualidade do atendimento não resolve o problema”, opinou Caiado após a exposição de mais de uma hora e meia do ministro sobre as ações governamentais para o setor. Padilha foi taxativo ao afirmar que o aumento da disponibilidade desses profissionais atende grande parte das lacunas hoje verificadas no sistema público de saúde.

O líder democrata, no entanto, rebateu com dados do próprio Ministério da Saúde. “Se trouxer mais médicos fosse a solução, Brasília e Rio de Janeiro teriam os melhores serviços do País. Ao contrário, essas cidades têm os piores serviços conforme avaliação do Ministério da Saúde”, aponta o parlamentar. As capitais federal e fluminense figuram entre as cidades brasileiras com maior índice de médicos superando os quatro profissionais por cada mil habitantes. A média brasileira é de 1,8 médico por mil habitantes, de acordo com informações fornecidas pelo ministro da Saúde a partir de dados do Conselho Federal de Medicina (CFM).

“Não estamos contestando a vinda de médicos estrangeiros, mas não podemos deixar de lado a qualidade”, pondera Ronaldo Caiado. Ele demonstrou que nos países de língua inglesa, como Canadá, Inglaterra e Estados Unidos os médicos com formação fora desses países precisam fazer um teste para exercerem a profissão nessas nações. A prova aplicada em território norte-americano, contou Caiado, é extremamente rigorosa. De cada 100 brasileiro que a fazem, apenas um é aprovado.

Em outra argumentação, o democrata mostrou que hoje um paciente do SUS leva, aproximadamente, seis meses para conseguir fazer um exame depois da consulta e cada médico requisita, em média, três exames por vez. “Se duplicarmos a quantidade de médicos no Brasil teríamos que sextuplicar a estrutura laboratorial existente para manter esses mesmos seis meses de espera”, concluiu Ronaldo Caiado.

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