Após obstrução do Democratas, base do governo faz acordo para votação na Câmara

Líder Ronaldo Caiado protestou contra postura governista de impor a pauta do Congresso apenas com Medidas Provisórias. Serão votados projetos como o da Política Nacional Antidrogas

Após o Democratas anunciar obstrução na votação de Medidas Provisórias nesta terça-feira (21), a base governista cedeu e fez acordo para incluir projetos de lei na pauta da semana. A informação foi passada agora há pouco pelo líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado, depois de participar da reunião do colégio de líderes. Caiado criticou a postura do governo federal de querer impor a pauta do Congresso Nacional e legislar por meio de Medida Provisória. Com o acordo, entraram na pauta projetos de grande importância, como o Projeto 7.663/2010, que institui a Política Nacional Antidrogas e o PLP 200/2010 que acaba com a multa de 10% do FGTS no caso de demissão sem justa causa. Os dois com apoio do Democratas.

“O resultado da reunião de líderes mostra a iniciativa da Casa de não se submeter à vontade da ministra Ideli Salvatti que hoje mais uma vez veio aqui para pautar a Câmara dos Deputados. Nós entramos em obstrução e só saímos depois que o presidente e a base do governo cederam para que sejam votadas hoje duas Medidas Provisórias intercaladas com dois projetos de lei e amanhã iniciaremos com dois projetos depois duas Medidas Provisórias”, explicou Caiado. “O ministro Joaquim Barbosa disse que essa Casa é pautada pelo Executivo. A base do governo é pautada pelo Executivo. O Democratas sempre manteve a sua postura com muita altivez e dignidade”, completou. Para o parlamentar, o Congresso não pode servir apenas como cartório para registrar as deliberações do poder Executivo.

Sobre a declaração de ontem do presidente do Supremo Tribunal Federal de que no Brasil existem partidos de mentirinha, Ronaldo Caiado afirmou que esse cenário não inclui o Democratas. “O Democratas tem programa, tem posição clara em todas as matérias. Nós aqui fazemos aquilo que a sociedade nos mandou para cá, para fazer oposição. Se há partidos de mentirinha hoje eles foram criados com a anuência do STF. Foi no Supremo que houve a interpretação de portabilidade de tempo de rádio e TV e de fundo partidário na criação de novos partidos. Na época, essa interpretação atendeu ao presidente Lula que dizia que ia extirpar o Democratas da vida política nacional. Agora, o ministro Joaquim Barbosa reconhece esse processo de deterioração das siglas partidárias”, avaliou Caiado.

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