“Governo quer trazer médicos estrangeiros na base do escambo”, diz Caiado

O líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), denunciou nesta quarta-feira (12/06) que o governo faz escambo com a saúde pública ao querer trazer 6 mil médicos de Cuba, sem validação de seus diplomas, em troca de acordos comerciais para investimentos de mais de US$ 900 milhões no porto cubano de Mariel e em aeroportos da ilha. Em audiência pública, na Câmara dos Deputados, com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o parlamentar destacou a falta de investimentos e a necessidade de se criar a carreira de médico de Estado, por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 454/2009), de autoria do goiano.

“O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, fez o anúncio do escambo que querem fazer com a saúde pública do País com os cubanos. Por que o governo agora diz que a prioridade é trazer médicos portugueses e espanhóis?”, indagou. Segundo o deputado, o Brasil anistia as dívidas de países africanos para o BNDES continuar a financiar as obras das empreiteiras brasileiras. Em Cuba, não pôde fazer isso. Os cubanos, em contrapartida, ofereceram 6 mil médicos ao preço de US$ 11 mil/mês pelo período de três anos. Medicina não pode se transformar em escambo”, disse o democrata. “Não estão preocupados com a qualificação nem se eles conhecem a nossa realidade”, acrescentou.

Para o líder do Democratas, a solução mais efetiva é a aprovação da PEC 454/2009, que cria a carreira única de médico de Estado. “O ministro Padilha disse que as Faculdades não formam médicos generalistas. Não há como um médico generalista sobreviver com o salário do SUS, com o pagamento de R$ 10 por consulta. Para mudar essa realidade, vamos votar a PEC e os médicos terão condição de exercer a medicina no interior com salários dignos e garantia de aposentadoria”, afirmou. Semana passada, a Câmara instalou a comissão especial para apreciar a PEC. Após essa etapa, a proposição irá a plenário da Câmara e Senado para votação.

“O brasileiro que vive nas grandes cidades é tratado por um médico qualificado, formado, especializado. O cidadão que mora no campo ou no interior tem que ser tratado por um médico que vem de fora, de Cuba, que não sabe nem se fala português, para atender muito mais uma necessidade comercial de empreiteiras do que a realidade da saúde do Brasil”, ponderou Ronaldo Caiado.

Outra preocupação do democrata diz respeito aos números do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área da saúde. De acordo com as promessas da presidente Dilma Rousseff, deveriam ser construídas 8.694 Unidades Básicas de Saúde, ao custo total de R$ 2,2 bilhões. No entanto, até momento foram entregues apenas 962 unidades, com investimento de R$ 250 milhões. O desempenho do PAC para as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) também decepcionam. De R$ 1 bilhão programado, foram gastos R$ 93,55 milhões, o que corresponde a 47 UPAs.

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