Ronaldo Caiado diz em artigo que falta política de preservação de imóveis históricos de Goiânia

A falta de política pública na preservação de imóveis antigos de Goiânia é tema de artigo do senador Ronaldo Caiado (Democratas), publicado nesta quarta-feira (03 de junho) no jornal O Popular. Segundo o parlamentar, esses imóveis representam um período importante da fase modernista em Goiás, mas correm o risco de serem destruídos pela pressão imobiliária e pelo alto custo de sua manutenção. Alertando para a necessidade de valorização de nossa história e tradição, o senador informa no artigo que encaminhou ao Ministério da Cultura um pedido para que estude a possibilidade de criar um plano de revitalização destas casas, acionando se for preciso os poderes estadual e municipal para colaborar com o projeto. Leia artigo na íntegra

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Um patrimônio de todos

Por Ronaldo Caiado

Os bairros mais antigos de Goiânia abrigam patrimônios históricos que poucos reconhecem como necessários à salvaguarda de nossas tradições. No ano passado, O POPULAR publicou uma reportagem no caderno Magazine, assinada pelo jornalista Rogério Borges, mostrando que grande parte dos cerca de 150 imóveis antigos da capital – catalogados por estudiosos – passa por um crescente processo de destruição. A explicação é que falta uma política pública de preservação dos nossos patrimônios materiais.

Valorizo as tradições do nosso Estado e me preocupa ver como este assunto é pouco debatido por nossas autoridades, embora deva reconhecer o importante papel que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desempenha no processo, ao lado de instituições importantes como a UFG, a PUC de Goiás e a UEG.

Depois da exigência do Ministério Público para que se fosse feito um inventário sobre estes imóveis antigos, não percebemos qualquer reação do poder público. Vale lembrar que os imóveis em questão, que representam um importante período da fase modernista em Goiás, correm o risco de serem destruídos pela pressão imobiliária e pelo alto custo de sua manutenção.

Se algumas casas ainda resistem, é por iniciativa dos próprios moradores, pessoas que foram pioneiras em nossa capital e têm trajetórias de lutas e amor por Goiás. Mesmo assim, sem a proteção das autoridades, o desgaste é maior do que o previsto e as intervenções nos imóveis acabam descaracterizando as obras arquitetônicas, causando um prejuízo não só para os donos, mas também para os goianos que a cada dia perdem mais um pedaço de seu patrimônio.

Assim como os prédios públicos ornados com art déco em Goiânia, que ficaram resguardados pela lei após seus tombamentos, é preciso lançar uma luz sobre a necessidade de proteger também estes imóveis. Bem como os prédios públicos, estas propriedades privadas carregam a história de Goiás e não podem ser negligenciadas pelo poder público, que tão pouco valoriza a cultura e a tradição.

Se estas preocupações não sensibilizam as autoridades como deveria, há que se considerar ao menos a possibilidade de incremento ao turismo em Goiânia, assim como a valorização como um todo das regiões que abrigam o imóvel. Nesta questão é preciso lembrar que o desafio não é somente a preservação patrimonial, no sentido estrutural, mas a possibilidade de reforço de vínculos afetivos e simbólicos dos cidadãos com suas cidades.

No sentido de colaborar com esta causa, encaminhei ao Ministério da Cultura um pedido para que estude a possibilidade de criar um plano de revitalização destas casas, acionando se for preciso os poderes estadual e municipal para colaborar com o projeto. Ao lado de estudiosos, deve-se verificar a necessidade de tombamento destes imóveis.

Ronaldo Caiado é médico, produtor rural e líder do Democratas no Senado

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