urna

Caiado diz na Folha que defender o continuísmo é o pior caminho para o Brasil

Pouco menos de duas semanas após as manifestações populares contra a presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Ronaldo Caiado (Democratas) avalia em artigo publicado na Folha de S. Paulo que as forças políticas não deram a resposta adequada aos anseios da maioria dos brasileiros. Segundo o parlamentar, o continuísmo é o pior caminho a ser adotado neste momento.

“Enquanto a oposição não conseguiu encontrar um caminho único em resposta à população, medidas do ajuste fiscal se mostraram inócuas, desemprego e inflação saíram de controle. As pessoas continuaram indo às ruas em todas as convocações feitas em defesa de uma saída constitucional. No entanto, para setores empresariais, da imprensa e do próprio parlamento, a incongruência dos líderes que deveriam capitanear esse momento se revelou temerária”, afirmou.

O líder do Democratas questiona no artigo se essa escolha é realmente viável. “Prolongar essa sangria por mais três anos é a melhor situação? Será que sustentar uma presidente sem legitimidade, completamente desconectada da população, sem a confiança do mercado e incapaz de propor mudanças que corrigiriam seus próprios erros é mesmo o caminho mais viável para o País?”, pergunta.

Leia o artigo na íntegra

——————

Os riscos da continuidade

Já são três protestos nacionais em menos de seis meses indicando a vontade popular por mudanças significativas. De uma pauta difusa, evoluímos para o consenso de que a corrupção, a situação econômica e a instabilidade política só serão solucionadas se partirmos da origem de toda a crise: o gabinete presidencial.

A partir daí, três hipóteses foram levantadas: a renúncia de Dilma Rousseff, o que seria menos traumático, porém pouco provável; a cassação da presidente pelo TSE, diante da comprovação do uso de propinas do Petrolão na campanha eleitoral; e o impeachment pelo descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Fatos para qualquer desdobramento existem. O aumento da ingovernabilidade, o recorde histórico nos índices de reprovação e a abrangência do escândalo da Lava Jato deram o caráter de urgência para que forças políticas buscassem uma solução.

O que se seguiu, infelizmente, foi só a piora do quadro. Enquanto a oposição não conseguiu encontrar um caminho único em resposta à população, medidas do ajuste fiscal se mostraram inócuas, desemprego e inflação saíram de controle. As pessoas continuaram indo às ruas em todas as convocações feitas em defesa de uma saída constitucional. No entanto, para setores empresariais, da imprensa e do próprio parlamento, a incongruência dos líderes que deveriam capitanear esse momento se revelou temerária. Momentaneamente, alguns retrocederam à cautela da 4ª via: manter Dilma.

Prolongar essa sangria por mais três anos é a melhor situação? Será que sustentar uma presidente sem legitimidade, completamente desconectada da população, sem a confiança do mercado e incapaz de propor mudanças que corrigiriam seus próprios erros é mesmo o caminho mais viável para o País? Teimo em dizer que o “continuísmo” é o pior caminho agora por um único motivo: a falta de credibilidade.

Vivemos uma crise de representatividade. Em qualquer pesquisa existe maioria para o impeachment. Se também não faltam fatos concretos para o avanço jurídico, por que ignorar os protestos que continuam por todo o País? A Lava Jato aponta bilhões roubados no ‘Petrolão’ para financiar o PT e a campanha de Dilma, mas não são suficientes para a cassação da presidente pelo TSE? Centenas de prefeitos, governadores e parlamentares perderam mandatos por corrupção. Ela está acima da lei?

É um governo acéfalo, em estado catatônico, capaz de anular qualquer um que se disponha a mudar os rumos da política e da economia do País. Vejam o que fizeram ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que caiu em desgraça diante da turma da “nova matriz econômica bolivariana”. A ponto do governo escalar o deputado federal José Guimarães para informar sobre o renascimento da CPMF em uma nova roupagem. Se Guimarães carece de liderança na própria Câmara, imagine diante do setor produtivo e da população brasileira. O País não aceita o retorno desse imposto tão nocivo, que prejudica todas as etapas da produção e recai sobre os ombros do trabalhador. Enquanto isso, o corte de ministérios é um engodo. A sinalização é que Dilma vai manter estruturas que serão anexadas a outras pastas e apenas retirará o ‘status’ de ministros do presidente do Banco Central e da Articulação Política, por exemplo. O Brasil tem que pagar por mais esse estelionato, sem qualquer corte de gastos do governo?

Com Dilma, o único cenário possível é o desastre. É preciso entender a necessidade de um redirecionamento político. E cabe aos agentes não compactuados ao PT que aparem as arestas e apresentem um projeto concreto em resposta ao País.