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Fórum Empresarial diz que Caiado presta ‘grande serviço’ ao divulgar prejuízo que venda da Celg traria a Goiás

O senador Ronaldo Caiado (Democratas) reuniu-se na manhã desta quinta-feira (24/09) com representantes do Fórum Empresarial de Goiás para esclarecer sobre os efeitos negativos da venda da Celg. Ronaldo Caiado elencou dados que mostram que a Eletrobras não investiu na Celg desde que assumiu o controle acionário da empresa e, mesmo assim, deve embolsar R$ 5 bilhões no leilão de privatização, marcado para ocorrer no dia 18 de novembro. Para os representantes do Fórum, o temor é de que haja prejuízos para Goiás, já que não houve clareza de informações durante as negociações do governo.

A reunião, que ocorreu na Casa das Indústrias, teve a participação de Pedro Alves de Oliveira, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Bartolomeu Braz, vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Paulo Vargas, superintendente do Sesi, e Helenir Queiroz, da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg), dentre outros. Os representantes do Fórum Empresarial alegaram desconhecer muitos dos dados apresentados pelo senador nesta manhã.

De acordo com Ronaldo Caiado, a Procuradoria Geral do Estado calcula que o passivo que Goiás tem de assumir por conta da venda da Celg é de R$ 3 a R$ 5 bilhões. Além disso, o Estado assumiu uma dívida com a Caixa Econômica Federal (CEF) de R$ 3 bilhões como parte do acerto para que a Eletrobras aceitasse a Celg. “Por que esta condicionante, se há pouco tempo tínhamos uma negociação em que Goiás perderia apenas 5% do controle acionário da empresa?”, questionou.

O parlamentar não acredita na tese de que o governo federal não renovaria a concessão da Celg caso a estatal não fosse repassada para a Eletrobras, uma vez que outras 26 distribuidoras do País, em condições financeiras semelhantes à Celg, conseguiram a renovação. “E depois de renovada a concessão, qual o investimento que a Eletobras fez na Celg? Zero. A verdade é que a Celg está sendo usada para sanear dívidas de distribuidoras do Sul e Sudeste”, contou, emendando que a Eletrobras ficará com R$ 5 bilhões da venda. “Goiás vai receber R$ 4 bilhões e ainda pagar o passivo? É o maior prejuízo que Goiás vai sofrer na sua história”, explicou.

Temor

A presidente da Acieg, Helenir Queiroz, demonstrou preocupação após a reunião com Ronaldo Caiado. “O senador trouxe números importantes sobre a dívida que pode ficar e a informação de que a Eletrobras vai ficar com R$ 5 bilhões sem ter feito nenhum investimento na Celg. Esses dados são novos para nós. São dados que temos de analisar porque toda conta um dia chega e nao queremos pagar o pato”, disse.

Durante sua fala, o presidente da Fieg, Pedro Alves, também admitiu desconhecer a real situação da venda da Celg. “O senhor trouxe informações que a gente não sabia. Mas conhecemos o grave problemas da Celg e queremos uma solução”, pediu. “Esse diálogo com o senhor é bom para enriquecermos as discussões”, acredita.

Desenvolvimento prejudicado

Ronaldo Caiado também explicou ao Fórum Empresarial que a Medida Provisória que o governo federal tenta aprovar no Congresso que repactuava dívidas em moeda estrangeira de empresas incluídas no Programa Nacional de Desestatização (PND) – e que indexaria a dívida da Celg com a Itaipu, que é em dólar, abrindo espaço para a privatização – não traz nenhum benefício para Goiás. “A única que ganha com isso a empresa que vencer o leilão. Quem defende isso não se preocupa com Goiás”, frisou.

O parlamentar acredita que o desenvolvimento do Estado pode ser afetado com a venda da Celg. “Como iremos cobrar de uma empresa privada que se preocupe com a questão social? Nas regiões em desenvolvimento, onde o investimento não vai chegar, Goiás será movido a geradores”, prevê.