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Comitê deve mediar impasse sobre linhas de alta tensão da Celg em Goiânia

Um comitê formado pela Aneel, OAB, Conselho Regional de Engenharia (Crea) e Conselho Federal de Medicina (CFM) deve mediar a partir de agora o impasse sobre o projeto de linha de alta tensão da Celg, que em seu traçado original passaria por oito bairros de Goiânia. A audiência pública realizada nesta terça-feira (08/12) no Senado Federal, com a presidência do senador Ronaldo Caiado (Democratas-GO), contou com a presença de representantes dos moradores da região Sudoeste da capital de Goiás; do presidente da Eletrobras, José Carvalho da Costa Neto; e de representantes da Celg e Aneel. A próxima reunião deve ocorrer em Goiânia.

Caiado propôs a participação do Conselho Federal de Medicina por conta de o risco à saúde ser uma das maiores preocupações da população atingida pela obra. Durante o debate, os moradores apresentaram grande quantidade de documentos, informações técnicas e laudos oficiais que atestaram como a Celg insiste em manter um projeto repleto de equívocos. A proposta de um comitê partiu do próprio presidente da Eletrobras. O colegiado a ser formado deve agora achar uma uma alternativa que atenda a comunidade que seria atingida pela instalação das linhas de alta tensão.

“Como médico e senador pelo meu estado de Goiás não posso deixar de respaldar a inquietação dos moradores em relação à saúde. Vimos a questão do risco de câncer pela proximidade com as linhas de alta tensão ser minimizado aqui, mas a realidade é que a incidência da doença tem aumentado desde que começamos a usar o telefone celular. Essas informações não podem ser desprezadas”, disse Caiado que acertou que as próximas reuniões sobre o assunto serão realizadas em Goiânia com representantes dos órgãos mencionados.

Representados por Marcelo Heleno Coelho de Souza e Flávio Augusto Corrêa, os moradores relataram como a Celg faltou com a verdade desde a última audiência realizada em novembro de 2014, quando foi determinada por José da Costa Carvalho Neto a interrupção da obra e a abertura de um diálogo. “Nós estamos decepcionados por um diálogo que nunca foi realizado. Empresa pública deveria zelar pelo bem público e não insistir na violação da lei como a Celg tem feito”, afirmou Marcelo Heleno.

CELG
Durante a audiência, Ronaldo Caiado lamentou a deterioração da Celg por interesses político-partidários. Representantes da Aneel atestaram que a empresa goiânia hoje é a pior empresa de distribuição de energia do país. “A Celg já foi uma das três melhores empresas de energia do País. A estatal foi saqueada, transformada muito mais em um balcão de negócios de campanhas eleitorais do que em uma empresa focada no atendimento de energia elétrica. O que o relatório da Aneel mostrou, nós sofremos na pele. Os apagões são frequentes e o que mais tem se adquirido no interior do estado são geradores pelas constantes falhas no fornecimento de energia. Com a entrada da Eletrobras, tínhamos a expectativa de que houvesse mais investimentos e o que estamos vendo é a Celg ser ajustada para ser leiloada”, lembrou o senador goiano.