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Apego ao poder não combina com postura de estadista, diz Caiado sobre manobra no rito do impeachment

O senador Ronaldo Caiado (Democratas) disse em entrevista à rádio Bandeirantes nesta quinta-feira (21/04) que a presidente Dilma Rousseff (PT) demonstra um quadro patológico de apego ao poder que não combina com a postura esperada de uma estadista, que deveria se preocupar em estancar a crise rapidamente. O parlamentar fez menção ao isso ao comentar as manobras que estão ocorrendo no Senado para procrastinar a votação do processo que, segundo ele, poderia ser finalizado em menos de 10 dias.

“O ex-presidente Fernando Collor foi afastado apenas 48 horas após o processo chegar ao Senado. Não houve tempo para instalar nenhuma crise de vazio de governo. Hoje a previsão, à qual estamos lutando duramente, é votar a matéria apenas em 17 de maio. Agora imagine ficar 30 dias sem governo enquanto o Brasil enfrenta essa crise gravíssima. Por que querem esse tempo se sabem que ela não tem como governar? O objetivo do PT é só caminhar para o enfrentamento, fomentar o ódio e o desentendimento”, avaliou.

Segundo o senador, que foi indicado como membro da Comissão Especial do Impeachment, a lei determina que, no momento em que a leitura é feita, deve-se dar prosseguimento ao rito. Mas o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB), estaria atropelando o regimento interno em favor de uma chicana do PT. “Infelizmente o PT e o Renan resolveram procrastinar, apesar das nossas questões de ordem. Não é fácil fazer valer uma opinião porque o presidente da mesa tem prerrogativas legais e está se beneficiando disso para adiar o processo”, contou.

Ronaldo Caiado lembrou que Dilma Rousseff perdeu a prerrogativa de governar desde o último domingo (17/04), quando a Câmara decidiu por maioria absoluta dar prosseguimento à ação. Sem apoio na Câmara – o que ficou explícito durante a votação -, Dilma não consegue sequer votar medidas simples de governo. “Hoje a Esplanada tem 9 ministérios sem ministros. É quadro grave. Não podemos deixar que uma situação dessa perdure por muitos dias. Até porque a legislação prevê rito célere”, lembra.

A intenção de Dilma Rousseff de discursar na ONU contra a atuação das instituições democráticas brasileiras também foi criticada pelo democrata. “Dilma é chefe Estado, ela não fala como a pessoa física. Ela está ali para tratar de ações de Estado, não de um assunto de prerrogativa das instituições brasileiras. Não cabe a um presidente levar este assunto para o cenário internacional, dizendo que é um processo golpista. É um viés altamente irresponsável, chega a ser criminoso. Não estamos vivendo momento de exceção. As instituições funcionam normalmente”, destacou.