Caiado apresentação contas

Caiado comprova rombo nas contas públicas e revela que ex-governadores dobraram pagamentos a terceirizados durante período de eleições, ao invés de quitar a folha de dezembro

 

Pela primeira vez na história de Goiás um dirigente do Executivo expõe as contas do Estado de maneira transparente e mostra o extrato bancário da Caixa Econômica Federal diretamente para a população durante transmissão ao vivo. A expectativa é de que, até a próxima sexta-feira (25/01), 83% do funcionalismo tenha recebido o pagamento. São 170.497 servidores ativos e inativos. O rombo consolidado em 2018 é de R$ 3,433 bilhões. Em 2019, o déficit total será de R$ 6,190 bilhões

Pela primeira vez na história de Goiás um dirigente do Executivo expõe as contas do Estado de maneira transparente e mostra o extrato bancário diretamente para a população durante transmissão ao vivo. O governador Ronaldo Caiado apresentou, na manhã deste sábado (19/01), em sua página no Facebook, balanço financeiro dos primeiros 19 dias de governo e dados oficiais do Tesouro do Estado que comprovam o rombo deixado pelos governos de Marconi Perillo e de José Eliton.

Caiado denunciou “crescimento vertiginoso” do empenho de contratos, bem como de terceirizações realizadas durante o período eleitoral. Ele demonstrou com números que os governos de Marconi Perillo e de José Eliton preferiram pagar estes contratos ao invés de quitar a folha de dezembro, cujo montante é de R$ 1 bilhão 303 milhões 342 mil.

Nos dois últimos anos (2017 e 2018), período pré-eleitoral, em comparação com os três anteriores (2014, 2015 e 2016) o pagamento de contratos praticamente dobrou, conforme atestam planilhas. Saiu de R$ 515,976 milhões em 2014, R$ 455,146 milhões em 2015 e R$ 558,191 em 2016 para R$ 1,227 bilhão em 2017 e R$ 1,144 bilhão em 2018. Nestes dois anos, portanto, Marconi e José Eliton dispenderam R$ 2,371 bilhões para beneficiar terceirizados.

“Isso mostra qual foi a prioridade do governo passado: em vez de pagar o salário dos servidores públicos, preferiu entregar o dinheiro para os terceirizados. Isso é desrespeito para com o funcionalismo, os cidadãos e o Estado”, lamentou.

A expectativa é que, até a próxima sexta-feira (25/01), 83% do funcionalismo tenha recebido o pagamento.

No anexo da Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan), Caiado reafirmou que realidade das contas públicas é de total calamidade. O rombo consolidado em 2018 é de R$ 3 bilhões 433 milhões 629 mil. Para o exercício financeiro de 2019, conforme resultado previsto pelo Caixa do Tesouro, o déficit total será de R$ 6 bilhões,190 milhões e 201 mil.

Isso porque somente o gasto com folha de pagamento, custeio de órgãos e outros Poderes, além de despesas correntes, consumiriam toda a previsão de receita para este ano, que é de R$ 18,7 bilhões. Ou seja, mesmo sem fazer qualquer investimento, apenas para manter os serviços básicos, Goiás já estaria no vermelho.

No entanto, os governos de Marconi Perillo e José Eliton (ambos do PSDB) agravaram, ainda mais, a situação deixando como dívidas imediatas R$ 3,4 bilhões – incluindo a folha de pagamento dos servidores públicos de dezembro de 2018, no valor de R$ 1,3 bilhão, e mais R$1,8 bilhão com fornecedores e prestadores de serviço.

“É muito triste ver o que fizeram com nosso Estado. O cidadão, que não tem nada a ver com esse crime, está pagando a conta. A vítima está pagando pelo crime. A população está desprovida de salário, serviços básicos, pelos crimes praticados nos governos anteriores”, destacou.

Colapso
Com gráficos desenvolvidos por servidores efetivos da Segplan e da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), Caiado demonstrou como a irresponsabilidade fiscal levou Goiás a uma situação de colapso nas contas públicas.

A irresponsabilidade administrativa culminou na crise vivida pelos mais de 170 mil funcionários públicos, que não receberam seus salários referentes ao mês de dezembro, pois a folha sequer foi empenhada.

“Nosso governo é transparente e nós não mentimos. Estamos aqui hoje com relatórios desenvolvidos por técnicos, de carreira da Segplan e da Sefaz. São funcionários do Estado, que estão na mesma situação que todos os outros. Sejamos verdadeiros: tentam transferir responsabilidade, mas o cidadão está vendo a realidade. Se tivesse dinheiro em caixa eu teria pago”, sentenciou.

Extrato
Ainda durante a coletiva de imprensa, o governador Ronaldo Caiado fez questão de apresentar o extrato bancário oficial da Caixa Econômica Federal, que comprova que ele recebeu o Estado com exatos R$ 13.345.650,14 em conta. No último dia útil da gestão do ex-governador José Eliton, 28 de dezembro de 2018, a conta única do Estado registrava o montante. O valor acima do que ele havia dito (R$ 11 milhões) é porque já tinham sido emitidas ordens de pagamento superiores a R$ 2 milhões.

“Essa é a realidade. Não tem maquiagem, não tem contorcionismo, não tem pedalada, não tem contabilidade criativa. A verdade nua e crua: recebi o governo com R$ 11 milhões em caixa e R$ 3,4 bilhões em dívidas. Gente, não existe mágica. Não tem como ‘fabricar’ dinheiro. Temos e vamos enfrentar essa situação”, acrescentou.

Para tentar amenizar o sofrimento causado pela falta de pagamento de dezembro, o governador determinou a antecipação da folha de janeiro, que deveria ser paga até 10 de fevereiro. Mais de 30 servidores da Segplan e Sefaz vão trabalhar durante todo o fim de semana para liberar os salários de 170.497 servidores ativos e inativos na próxima semana.

“Estamos com apenas 19 dias e as dificuldades todos estamos passando, mas não é motivo de lamúria, vamos trabalhar cada vez mais. O apoio dos servidores é fundamental para que não paire nenhuma dúvida sobre o governo. Vamos colocar total transparência dos dados e nada melhor para combater injustiças do que a verdade, a transparência”, disse o governador.

Prioridades
Ao apresentar o demonstrativo atual da conta única do Estado (que deve chegar a R$ 270 milhões na próxima segunda, 21), Caiado relembrou que não é apenas a folha de pagamento do funcionalismo que o preocupa.

Em uma transmissão ao vivo direto do Hospital Materno-Infantil, o deputado federal eleito e médico Zacharias Kalil relatou as dificuldades vividas pela unidade. Os atrasos com a organização social administradora e a falta de investimentos dos governos passados quase fecharam as portas do único centro médico que trata de bebês e crianças no Estado.

“Salário é importante, pagar dívidas é importante, mas tenho uma prioridade: garantir a dignidade dos cidadãos goianos. Não podemos deixar setores como a Saúde, Segurança e Educação entrarem em colapso. Na escala de prioridade, eu como governador reafirmo que é salvar vidas. Meu compromisso deve ser esse”, argumentou.

Por fim, o governador fez questão de destacar que sua gestão irá tomar medidas duras para garantir que Goiás supere a crise o mais rápido possível. Além da expectativa de inclusão do Estado no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) do governo federal, há uma determinação para que sejam cortados 20% de todos os contratos da secretaria, redução de gastos e otimização de pessoal.

“Ninguém resolverá nada do dia para noite, mas a população tendo conhecimento da realidade, sabendo que o governo é administrado de forma transparente, saberá retribuir com gesto de apoio ao governo que tem compromisso com Goiás”, arrematou.

Participaram ainda da apresentação os secretários de Gestão e Planejamento, Pedro Henrique Sales; de Governo, Ernesto Roller; e de Cidadania, Marcos Cabral.