Caiado comemora vitória de Maia e diz que atuação do Congresso será fundamental na recuperação dos Estados

Governador afirmou que o presidente reeleito tem capacidade para “sinalizar uma saída da crise para o Brasil e para os Estados” e que reforma da Previdência é prioridade nesse processo. Para tanto, Caiado espera contar com apoio das bancadas goianas na Câmara e Senado

Fôlego para os Estados respirarem e se recuperarem financeiramente. É o que o governador Ronaldo Caiado espera que a União ofereça aos governadores que enfrentam dificuldades herdadas de gestões anteriores, como é o caso de Goiás. “Não temos hoje condições de fazer empréstimos, temos um débito de R$ 3,4 bilhões e 82% da nossa receita comprometida com a folha de pagamento”, reiterou sobre a situação goiana.

Caiado esteve em Brasília, na noite desta sexta-feira, 1º, acompanhando a votação para a mesa diretora da Câmara dos Deputados e comemorou a vitória do deputado Rodrigo Maia (DEM), reconduzido à presidência. “Goiás ganha com Rodrigo Maia na presidência. Ele dará apoio a nós nesse momento, ele sabe das nossas maneiras de agir, nos conhece. Eu conheço o seu preparo, sua capacidade também de sinalizar uma saída da crise para o Brasil e para os Estados. E ele tem capacidade para pilotar esse processo”, enfatizou o governador.

A reforma da Previdência é um dos projetos importantes para ajudar na recuperação dos Estados. Para o governador, é preciso avançar em uma emenda que aglutine, “é buscar lá dentro das emendas apresentadas, um texto ainda mais abrangente e capaz de dar sinais claros e de imediato, porque os estados estão totalmente inviabilizados, totalmente quebrados”, destacou.

As bancadas goianas no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, segundo o governador, devem oferecer apoio às votações da reforma que será apresentada. “Espero ter todo apoio nas votações da reforma que o presidente vai apresentar. Essa é a prioridade total nossa”, afirmou. Caiado relatou que, em Goiás, o déficit orçamentário é de R$ 2 bilhões na área da previdência, com um acúmulo de R$ 200 milhões negativo todo ano.

O governador lembrou que há poucos dias teve de decretar estado de calamidade pública financeira em Goiás, a exemplo de outros estados, como Roraima, Rio Grande do Norte e Mato Grosso. “Essa é a realidade, e nós precisamos sinalizar que vamos crescer. Com o potencial que tem o Estado de Goiás não é justo que ele viva da maneira que está vivendo”, disse.

Nesse sentido, Ronaldo Caiado acredita que Maia pode colaborar para “discutir essa realidade”, contando com o apoio dos governadores. “Se os governadores podem, indiscutivelmente, resgatar e apoiar essa votação da Previdência, é fundamental o apoio [da União] também diante de uma situação tão grave como essa, em que os estados estão vivendo, e que não é responsabilidade dos governadores que foram eleitos neste momento”, observou. “Não quero repassar a responsabilidade para a União, o que estou pedindo neste momento é que seja dado um fôlego para os estados respirarem.”

Uma das saídas, reforça Caiado, é que o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, volte a avalizar os estados na contratação de empréstimos diante dos compromissos que os novos governantes podem fazer com a União. “Que ele [Guedes] nos dê uma oportunidade para abrir uma válvula de empréstimos, podendo avalizar esses governantes que chegaram agora”, apontou. “Goiás é um estado que tem uma estrutura e que pode se comprometer em quitar esses compromissos.”
Celeridade na responsabilização de quem desrespeitou a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é outra proposta defendida pelo governador de Goiás. “Pedimos celeridade na punição daqueles que usaram o dinheiro público indevidamente e da maneira corrupta. Que sejam julgamentos céleres como ocorre no período eleitoral. Isso é muito importante para nós”, reforçou. “Até serem amanhã condenados os que cometeram os crimes e desrespeitaram a Lei de Responsabilidade Fiscal, vai passar um tempo enorme. E, com isso, aqueles que herdaram a irresponsabilidade do populismo, da corrupção, estão hoje impossibilitados de poder governar”, criticou.