Roda de entrevista  4

“Reforma administrativa vai trazer eficiência e o menor custo para o cidadão”, diz Caiado

Durante entrevista na Rádio Sagres, governador explicou detalhes da proposta enviada à Assembleia Legislativa, que deve gerar aproximadamente R$ 440 milhões de economia em quatro anos e reiterou críticas ao pedido de interdição do Materno Infantil

Aumento na eficiência administrativa e redução de custos. Esses são, segundo o governador Ronaldo Caiado, os objetivos do projeto da segunda etapa da reforma administrativa no Governo de Goiás, que foi enviado ontem à Assembleia Legislativa. Nesta sexta-feira (03/05), em entrevista à Rádio Sagres, Caiado defendeu a proposta que cria órgãos essenciais à gestão pública e extingue cargos, e que deve gerar uma economia de aproximadamente R$ 440 milhões até o fim de seu mandato.

“Nós fizemos com que a máquina do Estado pudesse ser mais leve para o bolso do cidadão cortando mais de 20% dos gastos da estrutura do Estado e, ao mesmo tempo, criando todas as secretarias necessárias para o bom funcionamento da máquina pública”, explicou o governador, que criticou o excesso de pastas ‘subjetivas’ e a falta de critério técnico da gestão anterior. “Recebemos um organograma em que havia cinco secretarias extraordinárias, isso é algo extremamente vago, subjetivo, e sem uma determinação específica. No entanto, foi tirada de Goiás a secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O Estado, que eminentemente tem sua base econômica na área da agroindústria, como não ter essa secretaria?”, questionou.

Caiado também ressaltou que havia um excesso na tipificação de cargos dentro do governo, o que dificultava a transparência e a gestão dos recursos humanos. “Eram 54 tipos de cargos, um variando com o outro por R$ 50. É um cipoal que você não dava conta de saber quanto é que cada funcionário ganhava. Hoje, temos 10 [tipos de cargos]. Então fica uma coisa lógica, algo que a pessoa sabe qual a função que exerce e o salário que recebe.”

Articulação em Brasília
O projeto de recuperação fiscal dos Estados também foi abordado durante a entrevista. Caiado destacou que o Governo de Goiás fez sua parte no acordo com o Governo Federal e tem economizado, revendo contratos e incentivos fiscais, desde o primeiro dia de gestão. Contudo, a contrapartida do Planalto, que seria a apresentação da proposta no Congresso Nacional, ainda não foi cumprida, o que motivou uma nova conversa com o ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta quinta-feira (02).

“Ele não me falou ontem que tem uma nova data [para a apresentação da proposta no Congresso]. Eu disse a ele que realmente essa situação não tem como mais ser procrastinada. Os governadores fizeram a tarefa de casa, esperavam também que o governo federal cumprisse com o compromisso de, no início de abril, encaminhar o projeto para a Câmara dos Deputados e que nós, em 15 dias, no máximo três semanas, aprovássemos esse projeto para que no mês de maio nós já tivéssemos essa tranche, como eles chamam, ou seja, esse percentual que já receberíamos desse empréstimo no mês de maio”, lamentou.

Sem alternativa
Caiado também voltou a criticar o pedido de interdição do Hospital Materno Infantil, em Goiânia. Ele classificou a atitude da Superintendência Regional do Trabalho em Goiás (SRTE-GO) de irresponsável e midiática, pois a auditoria teria sido feita durante quatro meses e o governo só ficou sabendo da decisão por meio da imprensa. “Isso é uma atitude midiática, irresponsável, num momento em que nós estamos lutando para poder ampliar os leitos”, disse o governador, ressaltando que Goiás é o único Estado do Brasil que, em apenas 90 dias de gestão, conseguiu abrir novos 50 leitos para atender os pacientes que chegavam ao HMI, mas, sem vagas no local, ficavam sem opções de atendimento.

O governador ainda salientou que o atendimento feito no HMI é especializado e não há outro hospital no Estado nem equipe médica que consiga oferecer um serviço equivalente à população. “As pessoas precisam entender que a cirurgia pediátrica, a pediatria de neonatal, com casos graves, como esses que recebemos no Materno Infantil, não podem ser distribuídos a hospitais que têm uma condição melhor para recebê-los sem ter uma equipe médica junto.”

Medidas emergenciais têm sido tomadas, reforçou Caiado, e os pacientes estão recebendo a medicação necessária no local. Não há falta de remédios. O governador reconheceu a precariedade física da unidade, mas que, no momento, não há outro lugar para abrigar esses pacientes e funcionários, e que a mudança é impossível de ser feita em um prazo tão curto. “Que o local não é adequado, eu sei. Qualquer um que vai visitar sabe, mas você não tem o direito de simplesmente, naquela hora, falar que está interditado. E aí, vai colocar onde?”,desabafou.

Caiado garantiu que vai construir um novo hospital pediátrico de referência para garantir atendimento digno a todas as crianças de Goiás. “Eu herdei um problema, vou fazer o melhor hospital Materno Infantil do Centro-Oeste. Vocês podem ter a certeza disso, até no final do meu mandato. E até lá temos que ir adequando as coisas”, finalizou.