Foto: Vinícius Schmidt

Após pico de grande vazão no Meia Ponte, governador reforça pedido para uso consciente da água

A previsão é de que as chuvas cheguem a Goiás no final de setembro. Até lá, a população de Goiânia e Aparecida precisa usar a água de forma responsável para evitar um possível racionamento

“Por parte dos irrigantes têm tido uma conscientização muito grande. Tivemos problemas sérios exatamente no consumo do setor urbano”, afirmou o governador Ronaldo Caiado nesta quarta-feira (11/9), em coletiva de imprensa. O governador convocou a imprensa para repassar à população o apelo para o uso consciente da água, principalmente nesta reta final do período de estiagem.

A previsão é de que as chuvas cheguem a Goiás no final de setembro. Até lá, é importante que os moradores, principalmente de Goiânia e Aparecida de Goiânia, evitem o desperdício de água. “Pela primeira vez, nós tivemos que acionar duas bombas no Meia Ponte para atender o consumo da cidade. Hoje [quarta-feira], às 7h, chegou a cair mil litros por segundo. Agora, às 15h, tivemos a segunda medição, com acréscimo de pouco mais de 400 litros por segundo”, informou Caiado.

Conforme a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Andréa Vulcanis, só será implantado o rodízio de água em Goiás caso o nível do Rio Meia Ponte fique abaixo de 1,5 mil litros durante o período de sete dias. O que não ocorreu no Estado ainda. “A última medição deu 2,1 mil litros por segundo e a ideia é que façamos a estabilização nesse nível. Então, para que estabilize, precisa ter menos consumo na cidade e tem 100 homens em campo para estabilizar o nível do Rio”, explicou Vulcanis.

De acordo com o presidente da Saneago, Ricardo Soavinski, o Sistema Produtor Mauro Borges também auxilia no fornecimento de água para a capital e região metropolitana. “A integração do Sistema João Leite com o Sistema Meia Ponte, que já há um mês está bombeando 800 litros por segundo, aliviou a situação do Meia Ponte. Quando tem uma necessidade maior, um consumo maior, como o governador explicou, a gente aciona outra bomba e, assim, tem a segurança do rio, a vazão necessária para acionar essa [segunda] bomba quando necessário”, ressaltou Soavinski.

Questionado sobre outras ações para evitar o racionamento de água, o governador reforçou que em abril lançou o Plano de Gestão dos Recursos Hídricos para a Região Metropolitana de Goiânia e determinou uma série de ações estruturantes para evitar a crise e estimular o uso consciente, garantindo o abastecimento de água. E ressaltou que, neste momento, espera mais uma vez a união da população. “Agora é buscar o sentimento de goianidade, de compromisso. É hora de todos nós termos a consciência de nos juntarmos e resolver de uma forma conjunta o problema da escassez de água”, disse Ronaldo Caiado. “Temos de exercitar, mais do que nunca, o sentimento de compartilhar os problemas. Não achar que seja apenas um problema de governo, da prefeitura. É um problema de todos nós.”

Outros reservatórios
O Governo de Goiás também pedirá assistência de produtores rurais que possuem reservatórios de água em suas propriedades. Todos os 400 reservatórios existentes no Estado já foram mapeados por georreferenciamento e aproximadamente 70 deles poderão auxiliar no abastecimento de água de Goiânia e região metropolitana por terem acima de dois hectares de espelho d’água, o que significa 45 milhões de metros cúbicos de água reservada.

“Já estamos indo a campo, conversando com os detentores desses reservatórios para que haja uma liberação progressiva”, destacou a secretária de Meio Ambiente. A ideia é que, caso necessário, sejam utilizados no máximo 30% desses reservatórios. “A partir dos mais próximos ao ponto de captação até os mais distantes, exatamente para que não haja uma perda dos mais distantes até o ponto de captação. Então, está sendo feita toda uma estruturação para que essa liberação ocorra parcialmente”, concluiu.

Fiscalização
Em parceria com a Semad, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) e a Polícia Militar (PMGO) intensificaram a Operação Integrada do Uso Racional da Água para fiscalização de propriedades ao longo da bacia do Meia Ponte. A determinação conta com reforço na equipe de fiscais em campo, uso de drones, aeronaves e embarcações de forças da segurança pública. A fiscalização prevê a aplicação de medidas punitivas que vão desde lacres até apreensões de bombas dos infratores.

“Temos mais de 100 pessoas em toda a extensão da Saneago no Rio Meia Ponte, fiscalizando todos os lugares, com controle direto de todas as áreas que têm outorga, para que não tenha mau uso [da água] durante o dia. As indústrias também estão seguindo à risca a determinação. Então, o apelo mesmo é que o cidadão se conscientize disso”, reiterou o governador.