Foto: Lucas Diener

“Governante não deve empurrar problema com a barriga”, diz Caiado sobre Reforma da Previdência estadual

Em entrevista concedida nesta sexta-feira, transmitida em rede para o Estado, o governador ressaltou a importância da matéria e reforçou compromisso de fazer gestão em benefício dos 246 municípios goianos

O projeto de Reforma da Previdência dos servidores do Estado, encaminhado pelo governador Ronaldo Caiado à Assembléia de Legislativa de Goiás, e a inclusão de todos os municípios na proposta, foi um dos diversos assuntos abordados na edição desta sexta-feira (1/11) do programa “Fala Goiás em Rede”. Caiado explicou que o déficit da Previdência – que esse ano deve chegar a R$ 2,9 bilhões e é o custeado pelo Estado – tem grande impacto nas contas estaduais. Isso prejudica os 7 milhões de goianos, que significa que já nasce, cada um, devendo R$ 670 para a Previdência. A entrevista foi transmitida ao vivo pela RBC FM e mais 33 emissoras em rede pelo interior, além de outras 14 que reproduzem em outros horários.

O governador ressaltou que já não era mais possível procrastinar tais mudanças, uma vez que gestões anteriores manipularam os cálculos com servidores inativos. “Não adianta a gente criar essas enganações, mentiras, porque as contas e a matemática mostram o resultado caótico que aconteceu. Não tem como 7 milhões de goianos ficarem trabalhando para que o Estado gaste 99% [de seus recursos] no pagamento de folha, aposentados e inativos”, pontuou. Mensalmente, o Estado tem que retirar R$ 230 milhões de seus cofres para cobrir as contas dos aposentados e pensionistas, recurso que poderia ser aplicado em Educação, Saúde e Segurança Pública.

Caiado destacou que a delonga em torno da questão da Previdência poderia levar Goiás a uma situação semelhante à de Estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio Grande do Norte, que já não pagam mais aposentados e pensionistas, acumulando até quatro meses de atraso, com pagamentos parcelados a cada 15 dias. “Poderia eu passar o meu governo empurrando com a barriga e o desastre explodiria nas contas do próximo governador? É esta a função de um governante?”, questionou, em tom de crítica. Foi justamente este sentimento de urgência em resolver a questão que fez com que Goiás fosse um dos primeiros estados a apresentar a PEC.

“Não estamos inventando nada. Como a Câmara dos Deputados não teve a coragem de assumir, nós estamos fazendo, reproduzindo exatamente o que foi aprovado na Câmara e no Senado Federal aqui na legislação de Goiás. O que, na verdade, já deveria ter sido feito. Se não foi feito, é por omissão”, argumentou Caiado.

Quanto à inclusão dos municípios, o governador ressaltou as relações republicanas que estabeleceu com os prefeitos e que não é hora de “jogos”, mas de se pensar em algo maior: o povo e a recuperação do Estado de Goiás. “Eu poderia também ter o gesto egoísta, pensando só no Estado. Mas, foi por este processo de retaliar A e B, que o Estado entrou nesse buraco que estamos vivendo hoje em dia. Se eu tivesse apenas querendo ter benefício político e desgastar os prefeitos, eu poderia dizer: ‘Cada prefeito que vá tratar no seu município’. Mas tive humildade, mesmo não tendo apoio de 90% dos prefeitos do Estado de Goiás, e nós incluímos todos os municípios na Reforma da Previdência.”

Segurança pública e desenvolvimento
Ao comentar a apreensão de meia tonelada de maconha na GO-060, em uma ação integrada entre as Polícias Militar e Federal, e a prisão de dois homens que transportavam 700 quilos da mesma droga em Cachoeira Alta, Caiado enalteceu o trabalho dos policiais, mas pontuou que a “bandidagem é insistente”. Atribuiu o êxito às parcerias que estão sendo feitas na área, especialmente na área de Inteligência, que permite antecipar ações criminosas.

“Vocês viram que nunca mais teve explosão de bancos em Goiás, porque estamos conseguindo nos antecipar às quadrilhas. Nossa polícia tem sido referência no Brasil, mas tivemos a humildade de buscar parcerias entre Polícia Federal, Rodoviária Federal, Ministério Público, Polícia Civil e Militar”, ressaltou o governador.

Além de atuar na repressão, o Estado também tem trabalhado de forma preventiva, com políticas que estimulam as pessoas a voltarem-se aos estudos, ao trabalho e a buscar alternativas de uma vida melhor. “Estamos atuando todos os dias no sentido de poder libertar os nossos jovens e crianças, que estão sendo induzidos e incluídos dentro dessas facções, para distribuírem e consumirem drogas. Senão, amanhã, o Estado de Goiás não terá como arcar com os gastos para tentar recuperar esses jovens que, tentando conseguir o dinheiro fácil, caminham para o lado da criminalidade.”

Sobre o protocolo de intenção para instalação de 25 novas empresas em Goiás e a liberação de R$ 500 milhões para micro e pequenos empreendedores, por meio da Goiás Fomento, que deve gerar 50 mil novos empregos, Caiado reiterou que é seu compromisso desde o período da campanha eleitoral proporcionar oportunidades iguais de desenvolvimento a todas as regiões do Estado. “Eu me comprometi a fazer um governo que fosse extensivo aos 246 municípios. Não acho justo priorizar algumas cidades em detrimento das outras. Não se tem um Estado desenvolvido quando você tem áreas e regiões com renda per capita alta, enquanto outras vivem num estado de miséria e de pobreza”, frisou.