Foto: Hegon Correa

Caiado enaltece Anápolis por acolher brasileiros vindos da China: “Cidade terá a marca da solidariedade para o resto da vida”

Governador destacou sensibilidade dos goianos, em entrevista ao programa Fala Goiás em Rede que debateu outros temas como desenvolvimento regional e ICMS dos combustíveis

“Anápolis terá a marca da solidariedade para o resto da vida e esta postura humanitária vai engrandecer Goiás”. O reconhecimento foi reiterado pelo governador Ronaldo Caiado durante participação, na manhã desta sexta-feira (14/2), no programa “Fala Goiás em Rede”, transmitido pela Rádio Brasil Central (RBC) e emissoras parceiras em todo Estado.

Dentre os diversos temas propostos pelos jornalistas na sabatina, a repatriação dos brasileiros que estavam no epicentro do surto do coronavírus, em Wuhan, na China, ganhou destaque. “Talvez seja a pergunta mais importante que vou responder nesta manhã. Sou médico, de formação humanista, com a missão de cuidar das pessoas e salvar vidas. Mas, acima de tudo, cabe ao governador mostrar esse gesto de patriotismo e amor ao próximo. Temos que estimular, cada vez mais, que um País e seu povo tenham esse sentimento de solidariedade”, afirmou.

Contudo, o governador frisou que agiu sempre com todo o cuidado e responsabilidade que sua função requer. Assim, seguiu rigorosamente o protocolo apresentado pelo ministro Saúde, Luiz Henrique Mandetta, cujos procedimentos, segundo Caiado, são mais exigentes que os vigentes nos Estados Unidos e União Européia. A partir daí, acompanhou toda a organização da operação.

“Tenho confiança total no ministro Mandetta. É um ‘craque’, uma das pessoas mais preparadas, respeitadas internacionalmente. A partir do momento em que conversei com ele, falei com o Ministro da Defesa, General Fernando [Azevedo e Silva], e estive no local em Anápolis, fiquei impressionado com os detalhes nos cuidados para receber os 58 brasileiros, contando com a equipe que participou da operação de repatriação”, relatou Caiado.

A ‘recompensa’, na avaliação do governador, veio com o resultado negativo dos exames. “Deus estende a mão aos que são solidários e aos que precisam. E eu estava justamente do lado de Mandetta, em Brasília, quando ele recebeu os resultados da Fiocruz”, recordou-se. No entanto, os cuidados seguem mantidos à risca, com acompanhamento semanal dos brasileiros por meio do exame RT-PCR, específico para o coronavírus.

O governador ressaltou que todo esforço fez com que Goiás fosse reconhecido para além das fronteiras brasileiras. “O The Guardian publicou matéria nossa; a embaixada chinesa reconheceu o gesto brasileiro”, mencionou. Sobre a falta de sensibilidade de alguns, citou Madre Tereza de Calcutá e concluiu: “Infelizmente, temos ainda em Goiás uma pequena parcela que vê o cidadão apenas como cifrão. Mas esta é uma visão que devemos extirpar completamente do Estado”, frisou.

Combate às desigualdades
Outra questão levantada durante a entrevista foi a instalação de novas empresas no Estado. Caiado salientou que, em seu governo, trabalha para combater ferrenhamente as desigualdades regionais, e não ampliá-las. É papel do governo, na sua visão, dar apoio às regiões mais carentes e, nesse sentido, está reformulando a distribuição de incentivos fiscais.

“Alguns incentivos eram dados apenas para poucas empresas; algumas que estavam no Estado há 40 anos. É preciso uma distribuição maior, regional, e que não haja concentração apenas nas chamadas cidades mais desenvolvidas”. Os frutos, segundo Caiado, já estão sendo colhidos. “Do ano passado até agora, já são 112 protocolos para instalação de novas indústrias em Goiás, assinados com a Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços. Goiás teve avanço de 3,33%, alcançando o segundo lugar em crescimento industrial no País, passando o Estado do Paraná”, afirmou o governador.

Ao ser questionado a respeito do ICMS sobre os combustíveis e o mais recente encontro com o ministro da Economia, Paulo Guedes, em Brasília, Caiado voltou a defender que o Brasil precisa da Reforma Tributária, mas que o assunto não pode ser tratado de forma “fatiada”. O governador lembrou que há problemas em relação há vários outros produtos, e discutir sobre um único produto é gerar uma polêmica desnecessária neste momento para o País.

“Não cabe a mim ficar criando processo de politização, antecipação de campanha eleitoral, no momento em que o povo quer resultado”, pontuou. A saída, para Caiado, e que foi corroborada por Guedes no Fórum dos Governadores, onde o ministro esteve a convite do goiano, nesta semana, é que haja uma parceria dos Estados com a União.

“Construímos um acordo e vamos responder aos anseios da comunidade. Quando alguns tentaram polemizar, disse pra trazer o ministro. Ele imediatamente veio e concordou que temos que fazer a reforma no todo, por meio do chamado Imposto de Valor Agregado [IVA], que acredito que vamos aprovar ainda este ano”, completou Caiado.

Durante a sabatina, o governador também respondeu a questionamentos sobre os investimentos realizados pela gestão estadual no aparelhamento das forças de Segurança Pública e a respeito dos avanços na liberação de licenças ambientais. Mais cedo, Caiado também participou do programa “Mundo em Sua Casa”, quando discutiu temas como a revitalização do Rio Meia Ponte, as providências tomadas para melhoria do abastecimento de água na região metropolitana e as ações do governo para a regularização da posse de 14 mil moradias até 2022.