Foto: Lucas Diener

Caiado garante que quarentena em Goiás vai durar o suficiente para poupar vidas

A princípio, Goiás passa por 15 dias de isolamento social. Condição será reavaliada periodicamente, com embasamento técnico e científico sobre o avanço do novo coronavírus. Enquanto isso, Estado cria medidas para combater os impactos econômicos, com foco nos mais vulneráveis

Quarentena. À primeira vista a expressão parece remeter a um longo período. Mas o dicionário desmistifica: “É o isolamento de certas pessoas que podem acarretar perigo de infecção. O período é relativo e depende do tempo necessário para proteção contra a propagação de uma doença”. E é justamente focado na vida das pessoas que, diante do avanço do novo coronavírus, o Governo de Goiás determinou quarentena inicial de 15 dias, mantendo apenas os serviços essenciais.

Como governador e médico, Ronaldo Caiado explica que quarentena “não se trata nem de 40 dias, nem quatro meses”. O modelo de isolamento social adotado no Estado é o mesmo que vem sendo aplicado pelo mundo inteiro, inclusive na China, que foi o epicentro inicial da doença. Estatísticas sobre a pandemia mostram que quanto mais cedo forem adotadas as medidas de prevenção, menor será o número de pessoas infectadas e mais rápido a rotina do lugar pode voltar ao normal.

Em Goiás, o primeiro caso registrado da Covid-19 foi no dia 12 de março. Mesmo antes disso, o governo estadual já estudava a curva epidemiológica por onde o coronavírus passou, e a reação do poder público para contê-lo. Por isso, em 13 de março, Caiado declarou situação de emergência. Depois, outros decretos determinaram a suspensão de eventos com aglomeração de pessoas, o fechamento gradativo de comércio e a suspensão temporária de aulas das redes de ensino públicas e privadas.

As medidas de isolamento tomadas até então encerram em 4 de abril. Quando esse dia chegar, explica Caiado, algumas atividades poderão voltar a funcionar no Estado, desde que os dados técnicos e científicos sobre a disseminação do coronavírus sejam favoráveis a tal cenário. “Vamos avaliar, por exemplo, a possibilidade de liberar aulas, atividades de mineração, de construção de rodovias ou obras da iniciativa privada em regiões mais distantes das cidades. Vamos mapear tudo isso e fazer gradualmente”, adianta.

O governador planeja deliberar sobre a prorrogação ou fim da quarentena em Goiás avaliando o cenário caso a caso. “Qual região do Estado pode liberar mais? Qual região pode liberar menos? Isso tudo será mapeado [com base na curva epidemiológica]. Nós vamos saber equalizar”, garante.

Economia
Caiado entende que o isolamento social, ainda que temporário, impacta a economia. Mas essa não é uma exclusividade do Brasil. “Todo lugar por onde passou o coronavírus teve dificuldade, desemprego, empresas quebradas”, aponta o governador. “O que nós estamos fazendo em Goiás é minimizar isso, nós saímos na frente”, completa. Tal raciocínio parte do princípio de que, quanto menos a doença se propagar, mais rápido o Estado poderá retomar todas as atividades econômicas. E o que é melhor: poupando vidas. “Disso eu não abro mão, como médico e governador que sou.”

Várias medidas já foram anunciadas no sentido de minimizar os impactos econômicos na vida dos goianos e outras estão sendo elaboradas. Para a população em situação de vulnerabilidade social, o Governo de Goiás anunciou a inclusão de 30 mil famílias ao programa Bolsa Família até abril. Também fará acréscimo aos beneficiários que possuem crianças ou adolescentes matriculados na rede pública de ensino. Para cada estudante, será acrescentado R$ 75 (referente aos 15 dias de quarentena). Serão beneficiados 103.980 alunos de escolas estaduais.

O governo federal anunciou benefício de R$ 300 – valor que ainda pode ser ampliado –, durante três meses, aos trabalhadores de baixa renda que sejam informais, autônomos ou estejam desempregados. A ação inclui pessoas que não têm carteira assinada; não recebem outro benefício, como Bolsa Família, pensão, aposentadoria ou seguro desemprego; que tenham mais de 18 anos e se enquadrem nos critérios do CadÚnico.

Já a Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) e o Gabinete de Políticas Sociais, coordenado pela primeira-dama Gracinha Caiado, lançaram a Campanha de Combate à Propagação do Coronavírus, que cria uma rede de proteção e prevenção social voltada para as pessoas que tiveram que parar de trabalhar nesse período. A ação arrecada recursos para a compra alimentos, itens de higiene e limpeza, álcool em gel e outros. Detalhes sobre como doar podem ser acessadas em www.ovg.org.br/voluntariado .

Pensando no micro e pequeno empreendedor, a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), por meio da GoiásFomento, Banco do Brasil e FCO, vai injetar R$ 500 milhões no mercado. O recurso é voltado para capital de giro emergencial, pagamento de impostos, mão de obra, aluguéis e outros custos fixos variados. A carência é de 6 a 12 meses e o prazo para pagamento de 24 meses. Mais detalhes em www.goiasfomento.com