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Exploração de terras raras vai gerar mais de 7 mil postos de trabalho em Minaçu

Estado de Goiás concluiu licenciamento ambiental de mineradora que já está apta a contratar pessoas. Serra Verde investirá R$ 580 milhões no município. “O minério que sai de Minaçu vai voltar a gerar renda e qualidade de vida à população”, diz Caiado

Uma nova perspectiva se desenha no horizonte para a população de Minaçu, no Norte do Estado. O Estado de Goiás cumpriu com todas as etapas de licenças ambientais da empresa Serra Verde Pesquisa e Mineração, que vai explorar terras raras no município. “A partir de agora, a empresa já pode contratar as pessoas. É uma das exigências que faço sempre, de atender a mão de obra local. Estamos respondendo com rapidez e celebridade à população de Minaçu, e devo isto à equipe de governo, que abraçou a causa”, destaca o governador Ronaldo Caiado.

O último passo foi dado no dia 21 de maio, com a emissão da autorização de supressão da vegetação local onde se dará a instalação da empresa, que será reposta com todo cuidado e seguindo recomendações da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). “O minério que sai de Minaçu vai voltar a gerar emprego, renda e, consequentemente, qualidade de vida à população local. Com todo respeito ao meio ambiente, garantindo aos cidadãos o acesso ao emprego, que é o maior programa social do mundo”, ressalta Caiado.

A Serra Verde Pesquisa e Mineração investirá cerca de R$ 580 milhões, gerando ao longo dos 18 meses de implantação, mais de 1,5 mil empregos diretos e seis mil indiretos. Desde 2013, a empresa estava com o pedido de licença, mas nunca tinha obtido uma resposta. A previsão era que mineradora entrasse em operação em 2017, o que não ocorreu. Antes mesmo do investimento para a implantação do empreendimento, a mineradora havia aplicado em Minaçu mais de US$ 70 milhões em pesquisas sobre os minerais presentes na região.

O grupo de elementos conhecido como “terras raras” (ETR) é composto de 17 elementos químicos utilizados na indústria de ponta e que podem ser usados em várias aplicações, como: produção de ímãs de alta potência (usados na geração de energia limpa, como turbinas eólicas e carros elétricos), catalisadores na indústria de petróleo, equipamentos médicos (ressonância magnética), lasers médicos, produção de luminescentes para a indústria óptica eletrônica e fabricação de supercondutores.

O anúncio e processo para regularização da instalação da Serra Verde Pesquisa e Mineração se deu em junho do ano passado imediatamente após o fechamento da mineradora Sama, em Minaçu, que extraía o amianto crisotila. Caiado fez questão de ir pessoalmente ao município fazer a entrega da licença à Serra Verde, juntamente com a titular da Semad, Andrea Vulcanis. A cidade, que nasceu junto com a empresa que explora a mina de amianto, sofreu os impactos da decisão judicial, tomada pelo Supremo Tribuna Federal (STF), que interrompeu os trabalhos da Sama e inviabilizou a economia da cidade, afetando o sustento de milhares de famílias que residem no município.

Em 17 de setembro do ano passado, foi emitida licença de instalação referente a lavra a céu aberto; pilha de resíduos; unidades de apoio: portaria, área fiscal, prédio administrativo, vestiário, ambulatório, restaurante, área de pesquisa e desenvolvimento, oficina de veículos e escritório, oficina da planta, salas elétrica, laboratório e de controle, galpão de resíduos, almoxarifado, ponto de abastecimento de combustível e estação de tratamento de efluentes oleosos. Em março de 2020, foi emitida autorização de supressão para a área da estrada de acesso, adutora e linha de distribuição de energia. Em abril, saiu a licença de instalação referente a estrada de acesso, adutora e linha de distribuição de energia.

Titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Inovação (Sedi), Adriano da Rocha Lima, considera Minaçu “uma cidade privilegiada”. “O município explorava amianto, que foi proibido, e agora descobre a existência de terras raras. Isto vai levar um desenvolvimento para o Norte do Estado de Goiás nunca antes visto, com uma exploração muito maior do que foi a de amianto”, projeta Adriano. Segundo ele, a indústria é uma exploração do futuro no Brasil, com o que há de mais moderno e inovador.

Com a descoberta da jazida de Minaçu, o Brasil tem tudo para despontar internacionalmente, tornando-se uma das maiores jazidas de terras raras do mundo, concorrendo diretamente com a China, até então a maior existente. E, a Serra Verde tem um importante diferencial: a técnica de exploração utilizada retira os elementos da terra sem prejudicar a natureza. “Uma ideia extremamente inovadora, utilizando sal de cozinha misturado à água, conseguindo separar os elementos sem poluir o ambiente, diferente do que acontece na China”, explica o titular da Sedi.

Enquanto o processo para regularização da mineradora transcorria, o Governo de Goiás buscou diversificar oportunidades, agregando novas ideias para auxiliar no processo de restabelecimento da economia local. A presidente de honra da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) e coordenadora do Gabinete de Políticas Sociais (GPS), primeira-dama Gracinha Caiado, esteve em Minaçu no começo do ano, onde fez a entrega de 32 tanques e de 15 mil alevinos, a pequenos produtores de tilápia da Associação de Aquicultores do Parque Aquícola Conquista (AAQUIPAC). Na ocasião, Gracinha reforçou que o Estado daria o apoio necessário à população de Minaçu e afirmou que “não podemos cruzar os braços. Temos que trazer a oportunidade para que vocês possam trabalhar e fazer com que Minaçu seja referência em Goiás”.