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PT colaborou com destruição da Venezuela, diz Caiado na Folha

Em artigo publicado neste sábado (12/08) na Folha de S. Paulo em que fala sobre a suspensão da Venezuela do Mercosul, o senador Ronaldo Caiado (Democratas) afirmou que a destruição do país vizinho não é alheia ao Brasil. Isso porque o PT, impulsionado pelo Foro de São Paulo, teria deixado suas digitais no processo.

Segundo o senador, o PT foi incentivador e apoiador financeiro do projeto bolivariano que teve êxito ao eleger presidentes na América Latina, mas que ao longo dos anos perdeu os seus principais atores e acabou fracassando.

“A Venezuela, porém, é o que espelha em grau mais trágico a índole desse projeto totalitário, que impôs gravíssimo retrocesso ao continente, devolvendo-o à pobreza crônica. O mais triste de tudo é que coube ao Brasil sustentar economicamente esse projeto”, lembrou. “Foi o próprio Lula, em reunião do Foro, quem disse que “o Brasil, como a mais poderosa economia continental, tem a responsabilidade de sustentar esse projeto”, reforçou.

Diante de um quadro de crimes de assassinato e tortura no País, o parlamentar criticou a mera suspensão do País do bloco. “Fala-se agora em confisco de bens privados pelo Estado, na sequência de uma Constituinte em eleição fraudada e diversas violações às instituições, como o afastamento da procuradora-geral Luisa Ortega Díaz. Diante disso, não há como não considerar branda a mera suspensão da Venezuela do Mercosul, por violação à cláusula democrática. O governo brasileiro, que neste momento preside a instituição, foi leniente ao não concordar com a sumária expulsão”, disse.

Leia o artigo na íntegra.

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As digitais do PT na tragédia venezuelana

A destruição política, econômica e moral da Venezuela, país que até a década de 1990 exibia uma das mais sólidas economias da América Latina, não é questão alheia ao Brasil. Muito pelo contrário.

É fruto de um projeto revolucionário socialista, denominado bolivariano —referência a Simón Bolívar, libertador da América hispânica.

Foi urdido no Foro de São Paulo, entidade criada por Lula e Fidel Castro, em 1990, com o objetivo de propiciar a ascensão da esquerda ao poder em toda a América do Sul e Caribe.

Teve êxito inicial, levando a esquerda ao governo de países como Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai, Bolívia, Peru, Equador e Nicarágua. Mas fracassou: perdeu os seus principais atores, Argentina e Brasil, e os demais estão não apenas falidos mas em processo de convulsão social. Inclusive nós.

A Venezuela, porém, é o que espelha em grau mais trágico a índole desse projeto totalitário, que impôs gravíssimo retrocesso ao continente, devolvendo-o à pobreza crônica. O mais triste de tudo é que coube ao Brasil sustentar economicamente esse projeto.

Foi o próprio Lula, em reunião do Foro, quem disse que “o Brasil, como a mais poderosa economia continental, tem a responsabilidade de sustentar esse projeto”.

Isso explica não apenas a rapina petista ao Estado brasileiro mas a ascensão do crime organizado no continente, pela presença no Foro das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

O PT e seus satélites associaram-se a esse projeto e passaram a agir segundo as ordens que dele emanavam.

Até a política externa, que obedecia não ao Itamaraty mas ao PT, por meio do seu coordenador de Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, submetia-se aos ditames do Foro, em escandalosa ilegalidade.

Em 2005, Lula gabou-se de ter “inventado o Hugo Chávez”. Não apenas o inventou como lhe deu sustentação política, econômica e logística, esta em parceria com Cuba, que inclusive infiltrou seus agentes na alta oficialidade das Forças Armadas venezuelanas.

Relatório desta semana do Alto Comissariado da ONU de Direitos Humanos, impedido de entrar no país, constatou o massacre: 124 mortes “relacionadas com as manifestações”.

Destas, as forças de segurança são “alegadamente responsáveis” por pelo menos 46, e os coletivos pró-governo são “alegadamente responsáveis” por 27. Quanto às restantes 51, diz a ONU, “não é claro quem foram os responsáveis”. Bem, o povo com certeza não foi.

Há ainda relatos de “choques elétricos e espancamentos com capacetes e paus enquanto os detidos estão algemados”; de detidos “pendurados pelos pulsos por longos períodos”; de “asfixia por gás”, de “ameaças de morte” e de “ameaças de violência sexual contra detidos ou seus familiares”. O número de presos políticos subiu para 359, segundo a ONG FPV (Foro Penal Venezuelano).

Fala-se agora em confisco de bens privados pelo Estado, na sequência de uma Constituinte em eleição fraudada e diversas violações às instituições, como o afastamento da procuradora-geral Luisa Ortega Díaz.

Diante disso, não há como não considerar branda a mera suspensão da Venezuela do Mercosul, por violação à cláusula democrática. O governo brasileiro, que neste momento preside a instituição, foi leniente ao não concordar com a sumária expulsão.

Quem se dispuser a ler os Cadernos de Tese do 5º Congresso do PT, em Salvador, em 2015, há de constatar que o partido via no segundo governo Dilma o momento de avançar no projeto revolucionário, nos moldes venezuelanos.

Disso escapamos, mas as digitais do PT estão impressas de modo indelével na tragédia venezuelana.

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Temer tornou-se refém da sua base, diz Caiado em artigo

Em artigo publicado pela Folha de S. Paulo neste sábado (29/07) o senador Ronaldo Caiado (Democratas) afirmou que o presidente Michel Temer (PMDB) perdeu a chance de atender aos anseios da população e mudar as práticas do governo herdadas do PT e agora carece de autoridade moral para exigir sacrifícios à população.

“O Brasil pedia uma mudança radical nos padrões morais e administrativos. Tirar Dilma Rousseff sem remover todo o aparato predatório que a cercava – 39 ministérios, mais de 100 mil cargos comissionados, além de toda a prática fisiológica da Era PT – foi trocar seis por meia dúzia. A população não caiu no engodo”, disse.

Segundo o parlamentar, a baixa popularidade de Temer é uma prova de que a população está atenta ao que ocorre. “O presidente não percebeu que, para impor sacrifícios ao povo, carece de uma autoridade moral. Ao optar pela maioria congressual, tornou-se refém de sua base. Não cumpriu o compromisso de enxugar a Esplanada dos Ministérios, reduzindo-a a 15 pastas, ocupadas por gente qualificada moral e tecnicamente. Manteve a máquina inchada e aparelhada.”, resumiu.

Leia o artigo na íntegra.
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Temer virou um prisioneiro palaciano, sem condições de andar pelas ruas

Em política, como em tudo o mais, as oportunidades não se repetem. O presidente Michel Temer, lamentavelmente, perdeu a sua.

Quando assumiu, antes mesmo de consumado o impeachment, não soube captar a expectativa de mudança que moveu a sociedade e levou multidões inéditas às ruas de todo o país.

O Brasil pedia uma mudança radical nos padrões morais e administrativos.

Tirar Dilma Rousseff sem remover todo o aparato predatório que a cercava —39 ministérios, mais de 100 mil cargos comissionados, além de toda a prática fisiológica da Era PT— foi trocar seis por meia dúzia.

A população não caiu no engodo.

E eis que, um ano depois, e não por acaso, o presidente Temer exibe a mesma impopularidade que sua antecessora: rejeição de 95% da população. E os motivos são os mesmos: corrupção, má gestão do Orçamento, insensibilidade à agenda da sociedade.

É impossível governar o país cedendo às corporações e ao apetite voraz de uma base parlamentar de 26 partidos. Não há como atendê-los e, simultaneamente, atender às verdadeiras prioridades do país.

Foi, porém, o que o presidente fez desde o início, quando cedeu à pressão corporativa, dando aumento à cúpula dos três Poderes, que, além de desfrutar de estabilidade, aufere os maiores salários do Estado. Enquanto isso, o contingente de desempregados passou de 12 milhões para 14 milhões em um ano.

E o enredo se repete: falta dinheiro até para o combustível dos veículos da Polícia Rodoviária, mas o presidente, cuja prioridade é manter-se no cargo, libera, em menos de um mês, nada menos que R$ 3,8 bilhões em emendas parlamentares.

Precisa afagar sua base para rejeitar a denúncia de corrupção passiva da Procuradoria-Geral da República.

Até nisso, lembra os dias finais de Dilma, quando Lula fez-se operador da presidente, distribuindo verbas e cargos, na tentativa de impedir o impeachment. Se Temer tivesse assumido a agenda da sociedade, teria a legitimidade que só ela é capaz de proporcionar. Optou, porém, por outra maioria: a congressual.

E selou o seu destino. Sem dinheiro em caixa para as concessões que continua fazendo, compromete o único segmento que ainda exibia resultados razoáveis: a economia. Já não exibe, e isso o leva a ações nefastas, como as mais recentes.

Em uma, pressionou o STF a que restabelecesse as contribuições do Funrural, punindo o agronegócio, setor sustentáculo da economia; em outra, aumentou impostos.

Não conseguindo cumprir a meta orçamentária de 2017 —um deficit de R$ 139 bilhões—, aumentou o PIS e o Cofins dos combustíveis, desprezando o prazo legal de 90 dias para que entrasse em vigor.

Mais uma vez, o povo paga a conta, sem a garantia de que ela será efetivamente paga, já que o governo não descarta novos aumentos de impostos.

O presidente não percebeu que, para impor sacrifícios ao povo, carece de autoridade moral. Ao optar pela maioria congressual, tornou-se refém de sua base. Não cumpriu o compromisso de enxugar a Esplanada dos Ministérios, reduzindo-a a 15 pastas, ocupadas por gente qualificada moral e tecnicamente. Manteve a máquina inchada e aparelhada.

A excelência que buscou na área econômica comprometeu-a com a desqualificação de seu entorno político, em grande parte investigada na Lava Jato.

O resultado aí está: denunciado pela PGR por corrupção passiva e associado a figuras execráveis como os irmãos Batista, tornou-se um prisioneiro palaciano, sem condições de andar pelas ruas do país.

A resposta virá pelas urnas, se o povo tiver paciência de aguardá-las. Infelizmente, 2018 está muito longe

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Só reformas vão completar o trabalho de Moro, diz Caiado na Folha

Ao comentar em artigo na Folha de S. Paulo neste sábado (15/07) a sentença do juiz Sérgio Moro que condenou o ex-presidente Lula, o senador Ronaldo Caiado (Democratas) defendeu a necessidade de promoção de reformas políticas como parte fundamental do saneamento moral necessário para mudar o País. Para ele, não basta atingir o topo: é preciso buscar também a raiz das distorções da política brasileira, tão favorecidas pelo modo PT de governar.

“A condenação de Lula é, sem dúvida, um avanço. Atingiu a cúpula da organização criminosa que, em 13 anos, devastou a economia, incitou o ódio na população e degradou a política. O país levará anos, talvez décadas, para inventariar o estrago, sobretudo no campo moral, perpetrado pela Era PT”, afirmou.

Ronaldo Caiado avalia, porém, que restringir o processo à Justiça não tratá os resultados tão esperados pelos brasileiros. “Mas não basta condenar um ex-presidente e depor outros dois se o que vier a sucedê-los tiver de gerir a mesma máquina ensandecida. Além da bagunça salarial, da disparidade absurda entre as aposentadorias dos setores público e privado, há a não menos absurda ingerência do Estado em setores da economia que lhe são alheios. E que resultam em ineficácia e prejuízo”, disse.

Leia o artigo na íntegra.

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Sem reforma, Estado continuará covil de ladrões

A condenação de Lula é, sem dúvida, um avanço. Atingiu a cúpula da organização criminosa que, em 13 anos, devastou a economia, incitou o ódio na população e degradou a política.

O país levará anos, talvez décadas, para inventariar o estrago, sobretudo no campo moral, perpetrado pela era PT.

A economia conserta-se em menos tempo. Mas o desgaste imposto à atividade política, sem a qual não há democracia —e nem civilização—, demora bem mais. Muito mais.

Não basta, porém, ir ao topo; é preciso, simultaneamente, ir às raízes do problema, às distorções que favoreceram todo esse conjunto de anomalias, jamais visto em nenhuma parte do planeta.

Refiro-me ao Estado brasileiro, cujos gigantismo e obesidade alimentam a corrupção e o desperdício de dinheiro público.

É preciso enxugá-lo, retirá-lo de atividades que não lhe dizem respeito e, sobretudo, impedir que continue sendo moeda de troca do fisiologismo político. O PT levou essa prática nefasta ao paroxismo.

Ela já o precedia, mas o padrão que lhe impôs, sistêmico, não tem precedentes. Tornou-o um método de gestão. E o resultado vê-se na Petrobras, que, diga-se, não foi o único bem público destruído pela sanha petista.

A rigor, nenhum cofre público foi poupado, nem os fundos de pensão dos aposentados das estatais. O PT banalizou o bilhão e introduziu o trilhão na contabilidade do crime.

A condenação de Lula tem, por enquanto, força simbólica. É apenas a primeira, em primeira instância, de um conjunto de cinco processos, sem contar as delações em curso, como a de Antonio Palocci, em que é figura central.

Nem por isso, no entanto, deixa de ter relevância. O juiz Sergio Moro, ao sentenciar pela primeira vez um ex-presidente por delito criminal, mostra que a Justiça é, de fato, para todos.

Isso inclui o presidente Michel Temer, acusado pelo Ministério Público também por corrupção passiva.

Mas não basta condenar um ex-presidente e depor outros dois se o que vier a sucedê-los tiver de gerir a mesma máquina ensandecida.

Além da bagunça salarial, da disparidade absurda entre as aposentadorias dos setores público e privado, há a não menos absurda ingerência do Estado em setores da economia que lhe são alheios. E que resultam em ineficácia e prejuízo.

O país tem hoje 149 empresas estatais; 47 delas criadas nos 21 anos do regime militar, de forte centralidade estatal.

Em 13 anos, o PT quase o igualou, criando nada menos que 43 estatais —e elas incluem desde uma fábrica de semicondutores no Rio Grande do Sul até uma, em Pernambuco, de produção de medicamentos derivados do sangue, a Hemobras, sob investigação pela Justiça em face de roubalheira. Nenhuma justificou sua existência.

É claro que há muitos outros exemplos, mas que não cabem neste.

As 28 estatais não financeiras criadas na era PT geraram, segundo dados do Instituto Teotônio Vilela, prejuízo acumulado de R$ 7,99 bilhões, sem contar a folha salarial de mais de R$ 5,4 bilhões.

Entre as novas crias do PT, há duas subsidiárias da Petrobras, não por acaso as mais deficitárias entre elas: a Citepe, criada em 2009, teve prejuízo de R$ 4,01 bilhões; a Petroquímica Suape, de R$ 3 bilhões.

Além do rombo econômico e da ineficácia, há o amplo espaço que oferecem para o saque de seus cofres, como nos tem mostrado pedagogicamente a Operação Lava Jato.

Não há dúvida de que a Justiça, em especial a 13ª Vara Federal de Curitiba, tem prestado inestimável serviço ao saneamento moral do país.

Mas a nós, políticos, cabe completar a obra, saneando o Estado brasileiro. Como está, continuará a ser um covil de ladrões.

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É o déficit moral do Estado que alimenta a crise, diz Caiado na Folha

O líder do Democratas no Senado, Ronaldo Caiado, afirmou em artigo publicado neste sábado (01/07) pela Folha de S. Paulo que o Brasil não pode seguir com um governo que atenta contra o Código Penal e ignora a falta de apoio da população, tentando manter-se no poder apenas com os aliados do Congresso Nacional. Ao citar a crise política do governo Michel Temer (PMDB) que se prolonga sem interrupção, o parlamentar voltou a afirmar que a única saída são eleições gerais.

“O saneamento não depende apenas de pôr na cadeia os agentes públicos que delinquiram. É preciso renovar todo o espectro político. Sem isso, estaremos enxugando gelo. É o déficit moral do Estado que alimenta a crise e o leva a digladiar-se em público, com troca de insultos entre as mais altas patentes dos Poderes. Inclui-se aí o próprio presidente Michel Temer, que neste momento concentra suas energias não em governar, mas num duelo verbal com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que o denunciou por crimes gravíssimos ao STF, cuja admissibilidade a Câmara dos Deputados irá avaliar”, afirmou.

Ronaldo Caiado defendeu que o País não pode agora, neste momento crucial, se apegar a “filigranas jurídicas, sobrepondo-as à realidade objetiva dos fatos”. Para ele, é urgente antecipar as eleições diretas. “Já perdemos tempo demais, em busca de uma saída que está à nossa frente”, concluiu.

Leia o artigo na íntegra.

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Não se governa desafiando o Código Penal

O desmonte do governo Temer não começou agora. A rigor, começou já na posse.

O prolongado processo de impeachment de sua antecessora já indicava que não haveria como reconciliar sociedade e instituições, sem o recurso ao único remédio para situações terminais da democracia: as eleições gerais. É urgente antecipá-las.

No quadro de crise em que estamos —política, econômica, social e moral—, outubro de 2018 está muito distante. E há o risco de, por inação, não chegarmos lá, não ao menos como desejamos.

Fui o primeiro a adverti-lo já naquela ocasião, mesmo tendo de abdicar de um mandato de oito anos de senador por Goiás, que não chegara nem à metade. O raciocínio que fiz, os acontecimentos posteriores o vêm confirmando —e arregimentando adeptos.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é o mais recente deles. Pelo visto, convenceu-se de que a tese de que o governo Temer seria uma pinguela que o país precisaria atravessar para chegar a 2018 é uma ilusão. Nunca existiu a tal pinguela.

O que houve —e há— de fato é um abismo, a separar a sociedade dos agentes públicos. E, como é óbvio, tal situação, sobretudo num quadro de recessão econômica, com 14 milhões de desempregados, não pode persistir, sob pena de o país desembocar num quadro de desobediência civil. No caos.

Como supor que, em tal ambiente —com o presidente da República, ministros e mais de uma centena de parlamentares investigados—, seja possível empreender reformas vitais à recuperação da economia, e que por isso mesmo impõem sacrifícios à população? Sem credibilidade, não dá.

A busca de outra saída política que contorne a solução das urnas é inútil. Não há. Se houvesse, já teria sido encontrada.

O sucessor de Temer herdará o fardo da ilegitimidade, que, no fim das contas, é a enfermidade que acomete hoje os três Poderes. O saneamento não depende apenas de pôr na cadeia os agentes públicos que delinquiram. É preciso renovar todo o espectro político. Sem isso, estaremos enxugando gelo.

É o deficit moral do Estado que alimenta a crise e o leva a digladiar-se em público, com troca de insultos entre as mais altas patentes dos Poderes.

Inclui-se aí o próprio presidente Michel Temer, que neste momento concentra suas energias não em governar, mas num duelo verbal com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que o denunciou por crimes gravíssimos ao STF, cuja admissibilidade a Câmara dos Deputados irá avaliar.

Nesse rito parlamentar, e somente nele, mais tempo se perderá, mais desgaste moral se imporá às instituições, num toma lá, dá cá fisiológico, escandalizando mais uma vez uma plateia indignada de contribuintes e desempregados.

Que adianta ter maioria no Congresso e não a ter na sociedade? Ao tempo do impeachment de Dilma Rousseff, o próprio Temer, diante da popularidade de um dígito da presidente, proclamava, com razão, a impossibilidade de mantê-la.

Que dirá agora diante de pesquisas que o mostram em idêntica situação, crivado de denúncias de corrupção, que teriam sido cometidas no exercício do mandato, no próprio Palácio? É gravíssimo. Não se governa desafiando o Código Penal.

Não podemos continuar sendo a República dos bacharéis, com apego a filigranas jurídicas, sobrepondo-as à realidade objetiva dos fatos. Nenhum legislador poderia prever o que se passa.

Por isso mesmo, a Constituição, em seu artigo 60, prevê sua própria reforma, por meio de três quintos dos votos de senadores e deputados, em dois turnos em cada Casa legislativa.

Já perdemos tempo demais, em busca de uma saída que está à nossa frente.

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Sem eleições gerais, democracia brasileira corre risco, diz Caiado em artigo

Em seu artigo na Folha de S. Paulo, o líder do Democratas, Ronaldo Caiado (GO), fez alerta sobre o risco que democracia brasileira corre com a persistência da crise e com uso apenas de soluções paliativas. Na opinião de Caiado acordos, reformas e articulações envolvendo o poder Judiciário não estão resolvendo, ao contrário, a crise só avança. O parlamentar crítica o argumento da rigidez do calendário eleitoral, para não se realizar novas eleições gerais, na sua visão, única saída eficaz para preservação da democracia na atual conjuntura.

“Defende-se a rigidez do calendário eleitoral, sob o argumento de que se trata de cláusula pétrea constitucional. Ora, nenhuma cláusula constitucional é mais pétrea que a própria democracia – e é ela que está em risco. Aguardar um ano e meio para salvá-la é uma temeridade. O quadro clínico da política brasileira é terminal. Ou o renovamos imediatamente ou descambaremos para o imponderável da desobediência civil”, argumenta.

O parlamentar explica que essa conjuntura envolve investigação das maiores autoridades da República, incluindo o próprio presidente da República, que tem foco apenas para se salvarem agravando o já terminal quadro recessivo brasileiro.

“Nesse ambiente de salve-se quem puder, viola-se, sem qualquer cerimônia, outra cláusula pétrea constitucional, a que determina que os três Poderes sejam independentes e harmônicos entre si (artigo 2º). Não têm sido, muito pelo contrário. Jamais assistiu-se tamanho embate entre eles, a que se associa o Ministério Público, ao qual a Carta de 1988, sem formalizá-lo, conferiu status de verdadeiro quarto Poder.

Esses conflitos, que não raro se manifestam em linguagem nada protocolar, aumentam a insegurança jurídica, que, por sua vez, inibe os investimentos, aprofundando o ambiente recessivo, que hoje, com a falência de milhares de empresas, já contabiliza mais de 14 milhões de desempregados. E o Estado não vê saída porque ele próprio é a crise. Há 14 pedidos de impeachment contra o presidente Michel Temer protocolados na Câmara dos Deputados. No Senado, há pedidos idênticos contra ministros do STF”, escreveu o senador goiano.

Para ele, as reformas, como a previdenciária e trabalhista, ainda que necessárias não surtirão o efeito esperado diante da total falta de credibilidade do governo atual. Caiado ainda pondera: “PT e Temer são faces de uma mesma moeda, e respondem por crimes de que foram parceiros. Lula e Temer estão irmanados no propósito de não antecipar as eleições. Temer porque precisa das prerrogativas do cargo para socorrer-se no foro privilegiado; Lula para transfigurar-se de criminoso comum em perseguido político. Não será com presidentes biônicos, trapaças de bastidores, duelos entre os Poderes e lances teatrais que o Brasil sairá da crise. Eleições gerais já”, finaliza.

Confira a íntegra do artigo:

Com Temer ou presidente biônico, crise vai piorar

A crise brasileira, mesmo diante de todos os paliativos que lhe tentam ministrar – acordos, reformas, articulações envolvendo o Judiciário -, continua avançando. E o único remédio eficaz para as enfermidades da democracia é a renovação do ambiente político, mediante eleições gerais.

A Inglaterra acaba de ministrá-lo para superar a crise do Brexit. Aqui procede-se de maneira inversa. Defende-se a rigidez do calendário eleitoral, sob o argumento de que se trata de cláusula pétrea constitucional.

Ora, nenhuma cláusula constitucional é mais pétrea que a própria democracia – e é ela que está em risco. Aguardar um ano e meio para salvá-la é uma temeridade. O quadro clínico da política brasileira é terminal. Ou o renovamos imediatamente ou descambaremos para o imponderável da desobediência civil.

Nenhum legislador – e o constituinte de 1988 não é exceção – poderia prever um quadro convulsivo como o que vive neste momento o Brasil, com o conjunto das instituições do Estado, os três Poderes, sob total descrédito perante a sociedade.

Uma conjuntura em que as maiores autoridades da República, incluindo o próprio chefe do governo, estão sendo investigados, acusados de graves infrações. Alguns já estão presos, outros o serão a qualquer momento; outros ainda, já na condição de réus, se empenham em manter-se sob a proteção do foro privilegiado, na expectativa de acordos que os inocentem.

Nesse ambiente de salve-se quem puder, viola-se, sem qualquer cerimônia, outra cláusula pétrea constitucional, a que determina que os três Poderes sejam independentes e harmônicos entre si (artigo 2º). Não têm sido, muito pelo contrário.

Jamais assistiu-se tamanho embate entre eles, a que se associa o Ministério Público, ao qual a Carta de 1988, sem formalizá-lo, conferiu status de verdadeiro quarto Poder.

Esses conflitos, que não raro se manifestam em linguagem nada protocolar, aumentam a insegurança jurídica, que, por sua vez, inibe os investimentos, aprofundando o ambiente recessivo, que hoje, com a falência de milhares de empresas, já contabiliza mais de 14 milhões de desempregados. E o Estado não vê saída porque ele próprio é a crise.

Há 14 pedidos de impeachment contra o presidente Michel Temer protocolados na Câmara dos Deputados. No Senado, há pedidos idênticos contra ministros do STF.

A Lava Jato, indiferente às aflições do meio político, prossegue implacável sua missão saneadora. Como operar, em tal ambiente, reformas como a trabalhista e a previdenciária, que, por sua abrangência e profundidade, assustam o contribuinte?

São necessárias, mas com que autoridade os agentes do Estado, desmoralizados e sob investigação, irão convencê-lo de sua urgência? Economia não é ciência exata. Tem forte componente psicossocial. Sem credibilidade, nenhuma medida, por mais engenhosa, funciona.

Não se questiona a competência e o acerto da equipe econômica, mas as condições de temperatura e pressão do governo e de sua base política são as de um moribundo. O temor de que a antecipação das eleições gerais proporcione o retorno do PT ao poder é falso. PT e Temer são faces de uma mesma moeda, e respondem por crimes de que foram parceiros.

Lula e Temer estão irmanados no propósito de não antecipar as eleições. Temer porque precisa das prerrogativas do cargo para socorrer-se no foro privilegiado; Lula para transfigurar-se de criminoso comum em perseguido político.

Não será com presidentes biônicos, trapaças de bastidores, duelos entre os Poderes e lances teatrais que o Brasil sairá da crise. Eleições gerais já.

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Temer tem sido o oxigênio que mantém vivo o PT, diz Caiado na Folha

Em artigo assinado neste sábado (03/06) na Folha de S. Paulo, o senador Ronaldo Caiado (Democratas) defendeu a renovação do quadro político atual como único meio efetivo para um recomeço da democracia brasileira. Ao afirmar que eleições diretas serão a única saída aceita pela população, o parlamentar ressaltou que Michel Temer (PMDB) não tem mais condições de governar e que sua administração, permeada de corrupção, é o principal combustível para o retorno do PT.

“A pergunta é: a ascensão do vice-presidente, que figurou como segundo escalão do esquema político mais corrupto da história, poderia reconciliar sociedade e políticos? Só a renovação do quadro político vigente pode proporcionar um efetivo recomeço. Arranjos de gabinete, que a população detecta e repudia nas redes sociais, servem apenas para aprofundar o abismo entre o país real e o oficial”, afirmou.

Na opinião de Ronaldo Caiado, políticos não devem temer as urnas e muito menos o PT. “O governo Temer tem sido o oxigênio que mantém vivo o PT e lhe oferece chances de ressurgimento. Quanto mais tempo perdurar, mais chances de sobrevida dará a um projeto criminoso de poder, com o qual hoje se confunde. Lula finge que quer diretas. Sabe que não tem chances, mas percebe o temor de seus adversários, que, por covardia, acabam por viabilizar sua narrativa de perseguido político”, alertou.

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Governo Temer é o oxigênio que mantém vivo o PT

As pesquisas de opinião durante o impeachment de Dilma Rousseff constatavam a ruína política e moral do PT; registravam até 95% de rejeição. O petismo parecia, enfim, banido da história.

Nas ruas, em manifestações que chegaram a reunir mais de 6 milhões em todo o país —1,5 milhão só em São Paulo—, o grito uníssono era “Fora, PT”, “Fora, Dilma”, Fora, Lula”.

A rejeição já continha dose de hostilidade aos políticos em geral, processo que se agravaria com os desdobramentos da Lava Jato. Incluo-me entre os poucos que não eram rejeitados nas manifestações.

Foi naquela ocasião, em 2015, que, diante do que antevia —e a presente crise o confirma—, propus a convocação de eleições diretas e gerais. Não via, como não vejo, outra saída.

Estava no primeiro ano de um mandato de oito anos, de senador por Goiás, e me dispunha a cortar na própria carne, voltando a enfrentar as urnas. Não faz, pois, sentido os que hoje, para espanto geral, defendem eleições indiretas me acusar de agir em causa própria. Do ponto de vista pessoal, tenho mandato até 2022, mas a democracia corre o risco de não chegar até lá.

A pergunta é: a ascensão do vice-presidente, que figurou como segundo escalão do esquema político mais corrupto da história, poderia reconciliar sociedade e políticos?

Só a renovação do quadro político vigente pode proporcionar um efetivo recomeço. Arranjos de gabinete, que a população detecta e repudia nas redes sociais, servem apenas para aprofundar o abismo entre o país real e o oficial.

Mudanças ministeriais com o indisfarçável objetivo de garantir foro privilegiado a investigados não passam de tentativas de obstrução de Justiça, além de explícita confissão de crime. E o resultado é que aprofundam a rejeição popular à política, sem a qual, no entanto, não há democracia e paz social.

Não temo as urnas —e não temo o PT. Se ele conseguiu sobrevida desde o impeachment, isso se deve exatamente à solução precária, pondo em cena um governo de suspeitos e investigados, a começar pelo presidente e seus principais ministros.

O governo Temer tem sido o oxigênio que mantém vivo o PT e lhe oferece chances de ressurgimento. Quanto mais tempo perdurar, mais chances de sobrevida dará a um projeto criminoso de poder, com o qual hoje se confunde.

Lula finge querer diretas. Sabe que não tem chances, mas percebe o temor dos adversários, que, por covardia, acabam por viabilizar sua narrativa de perseguido político.

Temos então que a bandeira das diretas passou às mãos dos delinquentes, enquanto os que defendem o saneamento moral contentam-se, inversamente, com truques que oscilam entre manter um presidente investigado ou sucedê-lo por via indireta.

Alegam que a Constituição não prevê diretas nessa circunstância. Ora, nenhum legislador poderia prever o que aí está —a perda de credibilidade de toda a classe política.

Nesses termos, não concebeu soluções à altura do necessário. Antecipar eleições, em diversas nações desenvolvidas —e o Reino Unido acaba de fazê-lo, em face do “brexit”—, é recurso comum e legítimo.

A democracia é o regime da maioria, e, quando a crise a ameaça, o remédio é recorrer à fonte que a nutre: o povo.

O país carece de reformas urgentes, mas não será possível fazê-las sob um governo desacreditado. Não basta obter votos de um Congresso que padece dos mesmos males. Não se trata de questão contábil.

A população rejeita o que daí advenha —e é dessa rejeição que se valem petistas e satélites para tentar reocupar as ruas, cuja hegemonia perderam.

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Caiado diz na Folha que saída de Temer e eleições diretas são o único caminho para o Brasil

Em artigo publicado neste sábado (20/05) pela Folha de S. Paulo, o líder do Democratas no Senado, Ronaldo Caiado, defendeu a saída de Michel Temer (PMDB) da Presidência da República e a realização de eleições diretas como meio de renovar o ambiente poluído da política brasileira. Para ele, este é o último caminho para recuperar a confiança dos brasileiros, o vigor da economia e realizar as reformas que o Brasil tanto necessita.

“Sem renúncia, resta o doloroso caminho do impeachment ou o (mais provável) da cassação da chapa Dilma-Temer no TSE. Somente eleições diretas podem renovar e oxigenar o ambiente poluído da política brasileira. Crise política se resolve com política. E a necessária mudança constitucional pode ser obtida por um pacto suprapartidário que contemple, enfim, a voz das ruas”, defendeu.

Ao avaliar o governo do peemedebista, o democrata afirmou que ele frustrou as expectativas da população ao optar por uma gestão recheada de escândalos. Ao mesmo tempo, sem popularidade, não conseguiu avançar em reformas que poderiam alavancá-lo. “A cada ministro que saía, envolto em escândalos, a reputação e confiabilidade de seu governo derretiam. Se a economia, entregue à gestão de técnicos competentes, continha a sangria herdada do desgoverno anterior, a credibilidade política, que deveria avalizá-la, definhava. A melhora dos indicadores, anunciada com euforia, não tinha, pois, sustentabilidade política”, disse.

Leia o artigo na íntegra.

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Sem renúncia de Temer, resta o impeachment

Os acontecimentos desta semana, que sepultaram o governo Temer, evidenciam o estado terminal da política brasileira —e devolvem a economia à UTI, para onde a gestão desastrosa do PT a havia conduzido. Economia e política são, na verdade, indissociáveis.

Não é possível que uma esteja sã quando a outra está doente. A esperança de que o governo Temer representasse efetiva mudança no país, depois de 13 anos de escândalos e gestão temerosa, fez com que a economia, ainda sem melhorar, parasse ao menos de piorar.

Mas o governo Temer frustrou essa expectativa. Perdeu a oportunidade histórica de atender o clamor da sociedade, que, em megamanifestações de rua, sem precedentes na história do país, pedia justiça, transparência e elevação do padrão moral da política.

Temer, inversamente, optou por formar um ministério em que figuravam alguns personagens associados às piores práticas. Em vez de um governo de notáveis, optou por um governo de notórios.

Não podia dar certo. A cada ministro que saía, envolto em escândalos, a reputação e a confiabilidade do governo derretiam. Se a economia, entregue à gestão de técnicos competentes, continha a sangria herdada do desgoverno anterior, a credibilidade política, que deveria avalizá-la, definhava. A melhora dos indicadores, anunciada com euforia, não tinha sustentabilidade política.

Dependia de reformas, sobretudo a da Previdência, que o governo, mesmo antes das denúncias desta semana, não estava em condições morais de impor à sociedade. Agora, muito menos.

Um governo desacreditado não pode pedir sacrifícios à sociedade, sobretudo a uma já suficientemente penalizada, com 14 milhões de desempregados, perplexa diante do circo de horrores que a Lava Jato exibe há mais de três anos.

O país só terá condições de retomar a agenda reformista —e com ela a restauração efetiva da economia— em outro ambiente político.

O governo Temer acabou. O presidente, político experiente e pragmático, sabe disso, mas insiste em desafiar a crise, em defesa de sua imunidade institucional. O cargo lhe garante foro privilegiado. Com isso, presta um desserviço ao país —e a si mesmo.

Renúncia, em prol de algo maior —no caso, o interesse público—, é também ato de grandeza. Temer está diante de um momento decisivo de sua biografia, em que definirá em que termos a história irá tratá-lo. Se insistir em ficar, será supliciado.

Não estão em pauta suas chances de absolvição no campo jurídico. Politicamente, ele já foi condenado pelo conjunto da obra. Convém lembrar que Fernando Collor, condenado politicamente, foi absolvido pelo STF. O tribunal político tem régua própria —e é implacável quando se quebra o cristal da confiança.

É possível ainda que o presidente caia em si e perceba que o melhor serviço que pode prestar à recuperação da economia é permitindo a salvação da política.

Não percebeu que reformas de tamanha profundidade —e aí destaco a da Previdência, por sua profunda repercussão na vida de cada trabalhador— não se restringem à contagem de votos no Parlamento. É preciso que tenham a chancela do cidadão, que só a dará mediante o fator confiança, que inexiste.

Sem renúncia, resta o doloroso caminho do impeachment ou o (mais provável) da cassação da chapa Dilma-Temer. Só eleições diretas podem renovar e oxigenar o ambiente poluído da política. Crise política se resolve com política. E a necessária mudança constitucional pode ser obtida por um pacto suprapartidário que contemple, enfim, a voz das ruas.

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Governo não tem autoridade moral para exigir Reforma da Previdência, diz Caiado na Folha

O líder do Democratas no Senado, Ronaldo Caiado, afirmou em artigo publicado neste sábado (06/05) pela Folha de S. Paulo que o governo do presidente Michel Temer (PMDB) perdeu a autoridade moral para encaminhar a Reforma da Previdência ao Congresso ao não fazer as mudanças exigidas pela população ao assumir a Presidência. Ao reiterar que não votará por sua aprovação, o democrata afirma que o governo não está apto a exigir sacrifícios da população e nem mesmo dos parlamentares que compõem a sua base política.

“O governo não poderia apresentá-la sem antes fazer a parte que lhe cabe, como gestor de um Estado caro, inchado, ineficaz e carente de transparência – e que protagonizou, ao longo dos governos petistas, um colossal espetáculo de saque e corrupção”, disse. “Se tivesse feito sua parte, teria reduzido significativamente o sacrifício da população. Optou, no entanto, por lhe mandar a conta da crise no tamanho em que a herdou, auscultando apenas sua equipe econômica”, completou.

Ronaldo Caiado também cobrou coerência do presidente ao pedir sacrifícios à população. “Nessa reforma, não votarei. Não ao menos sem que o Estado se disponha a cortar na própria carne”, afirmou. “Só assim a sociedade, que arca com uma carga tributária gigantesca, há de ver coerência no que está proposto. O próprio presidente, beneficiário de uma aposentadoria precoce, aos 55 anos – dez a menos da que quer agora impor -, deveria a ela renunciar”, cobrou.

Leia o texto na íntegra.
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População não pode pagar sozinha a conta da reforma da Previdência

A sobrevivência do governo Michel Temer depende da aprovação das duas principais reformas de sua agenda: a trabalhista e a previdenciária. Mas a situação de ambas é distinta.

A trabalhista, que me disponho a aprovar, cumpre o que se espera de uma reforma: melhora e moderniza o setor, preservando direitos essenciais, ao tempo em que flexibiliza as relações entre empregador e empregado, saneia o ambiente sindical e agiliza a Justiça Trabalhista. Mais ainda: está sendo amplamente discutida, num ritmo adequado para que possa ser assimilada.

Daí a relativa facilidade com que, apesar da oposição ideológica que lhe está sendo movida, agregou apoio dentro e fora do Congresso, dando sinais de que poderá ser aprovada, sobretudo por se tratar de legislação infraconstitucional, que exige quorum de maioria simples. Já a reforma previdenciária é mais problemática.

E não apenas por se tratar de emenda constitucional, que exige quorum qualificado de três quintos, em votações em dois turnos em cada uma das Casas legislativas. Trata-se de reforma que afeta de maneira mais profunda e dolorosa a vida do cidadão, restringindo-lhe direitos e agravando-lhe obrigações.

O governo não poderia apresentá-la sem antes fazer a parte que lhe cabe, como gestor de um Estado caro, inchado, ineficaz e carente de transparência —e que protagonizou, ao longo dos governos petistas, um colossal espetáculo de saque e corrupção.

O povo foi às ruas e reivindicou o fim desses problemas no país. Foi o que se viu nas megamanifestações que resultaram no impeachment de Dilma Rousseff. Temer assumiu comprometido com essas mudanças —e não as fez no momento adequado.

Perdeu, por isso, autoridade moral para encaminhar a reforma da Previdência. Se tivesse feito sua parte, teria reduzido significativamente o sacrifício da população. Optou, no entanto, por lhe mandar a conta da crise no tamanho em que a herdou, auscultando apenas sua equipe econômica.

De sua base parlamentar, exige lealdade, pressa e votos. Mas não a ouviu, a não ser em questões acessórias. Com que autoridade a pressiona e a ameaça, acenando com perda de cargos e influência?

Nessa reforma, não votarei. Não ao menos sem que o Estado se disponha a cortar na própria carne. Reconheço que é preciso ajustar a Previdência, torná-la contemporânea. Mas a população não pode pagar sozinha a conta. É preciso que o Estado também o faça.

Só assim a sociedade, que arca com uma carga tributária gigantesca, há de ver coerência no que está proposto. O próprio presidente, beneficiário de uma aposentadoria precoce, aos 55 anos —dez a menos da que quer agora impor—, deveria a ela renunciar.

Coerência é também o que lhe pedem seus aliados, sobretudo na Câmara, que assistem à desenvoltura com que no Senado o líder do PMDB, Renan Calheiros, a contesta, sem que o presidente reaja.

A Câmara viveu essa situação durante o governo FHC, aprovando medidas de flexibilização das leis trabalhistas, na sequência engavetadas pelo Senado, pagando sozinha o ônus eleitoral, em que mais de 150 deputados não se reelegeram.

Tal incoerência dá consistência aos rumores de que o alarde em torno das reformas —sua urgência e inflexibilidade— seria apenas cortina de fumaça para as denúncias da Lava Jato, que atingem em cheio o governo. Mera disputa de manchetes na mídia.

Se a sociedade, de um lado, não quer arcar com uma conta tão pesada —e isso é justo—, os parlamentares, de outro, não se dispõem a oferecer ao governo o alto preço de um inútil suicídio eleitoral. E isso também faz todo sentido.

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Brasil deveria seguir exemplo do Reino Unido e convocar eleições, diz Caiado na Folha

Na coluna do senador Ronaldo Caiado publicada neste sábado (22/4) na Folha de S. Paulo, o parlamentar reforça a urgência da convocação de eleições como única saída para a grave situação que o país vive. O líder do Democratas no Senado expõe que a crise deixou de ser apenas política e econômica para se tornar institucional e a falta de credibilidade do Congresso – sob impacto das denúncias da Lava-Jato – para fazer as reformas que o Brasil precisa   vai resultar na permanência da nação nesse quadro caótico. Caiado citou como exemplo o parlamento Reino Unido que esta semana, com maioria absoluta, decidiu convocar eleições, três anos do previsto, diante de uma situação de ruptura política provocada pelo “Brexit”, a saída do bloco britânico da União Unido. o senador disse também que todos devem colocar seus cargos à disposição para uma nova eleição e que isso inclui ele próprio que não está nem na metade de seu mandato.

“O Reino Unido acaba de dar exemplo de como (e por que) funcionam as verdadeiras democracias. Diante de um quadro de impasse político, decorrente da saída da UE —o “Brexit—, seu Parlamento, por iniciativa da premiê Theresa May, antecipou as eleições para 8 de junho”, argumentou Caiado.

“A crise brasileira, nesses termos, mostrou-se, mais que econômica, mais que política, institucional. Os três Poderes padecem de profunda falta de credibilidade para solucionar a crise; a sociedade não se sente representada por eles -e não confia nem chancela as propostas que lá tramitam, em busca de soluções.

A saída —e venho sustentando isso desde os tempos em que ainda se discutia o impeachment— é zerar o jogo, com novas eleições gerais, que restabeleçam a sintonia entre o povo e as instituições”, o opina o senador sobre o caso brasileiro.

Para o líder democrata, a solução dada pelo Congresso após o impeachment é artificial e está apenas prolongando a crise. “O Congresso, pressionado pela indignação popular, entendeu que bastava afastar a presidente, adaptar-se ao novo governo e estabelecer um realinhamento partidário. Solução artificial, de gabinete, que a sociedade rejeita. O novo governo não é novo; é subproduto do que foi derrubado nas ruas. A sequência das investigações da Lava Jato mostra também o comprometimento de parcela expressiva dos partidos que estão no governo e que estiveram alinhados com o PT, que comandou o maior saque aos cofres públicos de que se tem notícia”.

Caiado ainda argumenta que o período das eleições não pode ser intocável diante do interesse público. “Os que se apegam a formalismos alegam que a periodicidade das eleições é intocável. Ora, intocável é o interesse público, afrontado por uma conjuntura em que as instituições já não o representam. Se todo o poder deve emanar do povo (parágrafo único, do artigo 1º da Constituição) e não está emanando, então é o próprio país oficial que incorre em inconstitucionalidade. Às urnas!”, conclui.

Leia o artigo na íntegra.

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Só o batismo das urnas propiciará solução pacífica e civilizatória

O Reino Unido acaba de dar exemplo de como (e por que) funcionam as verdadeiras democracias. Diante de um quadro de impasse político, decorrente da saída da UE —o “brexit—, seu Parlamento, por iniciativa da premiê Theresa May, antecipou as eleições para 8 de junho.

Foi uma decisão esmagadora: 522 a 13. Parlamento e primeira-ministra teriam mandato até 2020, mas entenderam que, com o “brexit”, estabeleceu-se uma ruptura da agenda política sob a qual se elegeram. Nessas circunstâncias, não há soluções de gabinete. Só o povo tem os meios de zerar o jogo e reiniciá-lo.

O Parlamento poderia ter feito vista grossa, em defesa de interesses pessoais e partidários, conservando os mandatos por mais três anos. Mas, em nome de algo bem maior —a governabilidade e o interesse público—, abriu mão de privilégios.

Cabe aí uma analogia com o quadro brasileiro, bem mais grave, dadas as suas circunstâncias econômicas, morais e sociais.

O impeachment da presidente Dilma Rousseff estabeleceu também uma ruptura com a agenda político-econômica sob a qual havia sido eleita —ela e sua base política, da qual faziam parte o seu vice, Michel Temer, o PT, o PMDB e outros partidos.

Essa agenda, como se sabe, foi rejeitada nas ruas, em megamanifestações, por uma conjunção de fatores: rombo orçamentário de R$ 200 bilhões e 14 milhões de desempregados, além do strip-tease moral exposto pela Lava Jato.

O Congresso, pressionado pela indignação popular, entendeu que bastava afastar a presidente, adaptar-se ao novo governo e estabelecer um realinhamento partidário. Solução artificial, de gabinete, que a sociedade rejeita. O novo governo não é novo; é subproduto do que foi derrubado nas ruas.

A sequência das investigações da Lava Jato mostra também o comprometimento de parcela expressiva dos partidos que estão no governo e que estiveram alinhados com o PT, que comandou o maior saque aos cofres públicos de que se tem notícia.

A crise brasileira, nesses termos, mostrou-se, mais que econômica, mais que política, institucional. Os três Poderes padecem de profunda falta de credibilidade para solucionar a crise; a sociedade não se sente representada por eles -e não confia nem chancela as propostas que lá tramitam, em busca de soluções.

A saída —e venho sustentando isso desde os tempos em que ainda se discutia o impeachment— é zerar o jogo, com novas eleições gerais, que restabeleçam a sintonia entre o povo e as instituições.

O exemplo britânico aí está. É preciso grandeza cívica para abdicar do conforto de mandatos e posições de influência. Disponho-me pessoalmente a fazê-lo, mesmo tendo sido eleito para um mandato de senador, de oito anos, que nem sequer chegou à sua metade.

O desconforto maior, no entanto, é integrar uma instituição cujo descrédito cresce a cada dia e já não tem meios de cumprir suas mais elementares tarefas.

Este Congresso ou não terá meios de fazê-las ou, se as fizer, as verá rejeitadas pela sociedade, aprofundando a crise. Só o batismo purificador das urnas —aqui como no Reino Unido ou em qualquer democracia— propiciará solução pacífica e civilizatória.

Os que se apegam a formalismos alegam que a periodicidade das eleições é intocável.

Ora, intocável é o interesse público, afrontado por uma conjuntura em que as instituições já não o representam. Se todo o poder deve emanar do povo (parágrafo único, do artigo 1º da Constituição) e não está emanando, então é o próprio país oficial que incorre em inconstitucionalidade. Às urnas!

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Papel passivo da sociedade chegou ao fim, diz Caiado em artigo na Folha

O líder do Democratas no Senado, Ronaldo Caiado, afirmou em artigo neste sábado (08/04) na Folha de S. Paulo que a crise mais profunda hoje, ainda não totalmente percebida pela classe política, é de representatividade. Segundo ele, a população não se vê representada nos poderes. Ao comentar as manifestações que têm ocorrido regularmente no Brasil, o parlamentar também alertou para o fato de que as cobranças não se encerraram com o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“A sociedade não se reconhece no Estado, que, por sua vez, continua a vê-la como se nada houvesse mudado. As manifestações, no entanto, mostram que a sociedade descobriu o poder transformador das ruas. E de lá não mais sairá”, garantiu.

Sem perceber as transformações pelos quais a sociedade passou – impulsionadas pelas redes sociais – o governo corre o risco de estagnar, pois obter maioria no Congresso já não é mais suficiente. “O recado é claro: o papel passivo da sociedade, como mera provedora de um Estado caro e inoperante, chegou ao fim. O governo Temer, se não se der conta disso, não terá êxito nas reformas que precisa realizar. Não o conseguirá se continuar supondo que lhe basta obter maioria no Congresso”, afirmou.

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Um novo país emerge da crise

Quando a sociedade brasileira começou a se manifestar nas ruas, a partir de 2013, não se tratava, como alguns pensaram, de protestos pontuais contra a corrupção e a má governança.

Se assim fosse, tudo se encerraria com o impeachment de Dilma, cujo governo, sob a égide do PT, mesclou administração temerária com roubalheira sistêmica, em magnitude sem precedentes, levando o país à ruína econômica, moral e política.

Ali, no entanto, apenas se inaugurava uma nova e irreversível fase na história do país, ao que parece ainda não devidamente percebida pelos agentes públicos. E aí reside o cerne da atual crise, que é, sobretudo, de representatividade.

A sociedade não se reconhece no Estado, que, por sua vez, continua a vê-la como se nada houvesse mudado. As manifestações, no entanto, mostram que a sociedade descobriu o poder transformador das ruas. E de lá não mais sairá.

Organiza-se para tornar efetivo o parágrafo único do artigo 1º da Constituição, segundo o qual “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente (…)”.

Esse termo “diretamente” está deixando de ser letra morta. As redes sociais são extensões digitais da vida pública, que banem de vez a figura do Estado torre de marfim.
O recado é claro: o papel passivo da sociedade, como mera provedora de um Estado caro e inoperante, chegou ao fim.

O governo Temer, se não se der conta disso, não terá êxito nas reformas que precisa realizar. Não o conseguirá se continuar supondo que lhe basta obter maioria no Congresso.

Há 28 partidos no Congresso, nenhum com vínculos efetivos na população. Em tal contexto, cogitar voto em lista, uma reforma para esconder a cara dos maus políticos, é aumentar o fosso que separa o país oficial do país real.

Foi-se o tempo em que o povo terceirizava seus problemas. Hoje, cobra lógica e coerência dos governantes; quer retorno de seus impostos. Reforma da Previdência, sim, desde que extensiva a todos, sem privilégios —e desde que devidamente explicada e debatida. E debate não é propaganda.

Aumento de impostos, sem que o Estado contenha os seus gastos, não. E assim por diante.

A agenda de temas em discussão no Congresso mostra a distância que o separa da sociedade. Neste momento, em que há cerca de 14 milhões de desempregados, a recuperação da economia exige sua desregulamentação e medidas de incentivo ao emprego, não reforma política e medidas defensivas contra a ação da Justiça na Lava Jato, entre as quais a preservação do foro privilegiado.

O país está atento, de olho nos políticos. Isso é bom. Há futuro e esperança e já se vê crescente parcela de jovens imunes à doutrinação esquerdista, em busca de projeto de prosperidade, baseado no estímulo ao empreendedorismo e à meritocracia, sem os quais não há justiça social.

O Brasil possui reservas minerais estratégicas incomparáveis. Com todas as dificuldades que já viveu e as que ainda vive, é o segundo maior exportador de alimentos, com uma das agriculturas mais sofisticadas e produtivas.

Mas possui potencial para ir muito mais longe. O país tem sido refém de uma mentalidade política retrógrada, calcada no paternalismo estatal, que o debilitou ainda mais nesses 13 anos de desastrosa hegemonia petista. A cada eleição, sob o estímulo do marketing político, ansiava por um salvador da pátria.

Lula prestou este serviço: sepultou o ciclo messiânico. O país que emerge da crise se despoja de mitos e equívocos do passado, disposto a refundar a república em bases morais e racionais.

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