Deputado federal do DEM critica atraso na votação do projeto que trará mais recursos à empresa
Deputado federal em seu quarto mandato, Ronaldo Caiado (DEM) é hoje um dos políticos mais respeitados no Estado e em todo País. Conhecido pelo estilo combativo, pela coerência e transparência, o parlamentar pede seriedade e celeridade na votação do projeto que autoriza empréstimo de R$ 3,7 bilhões para pagar as dívidas da Companhia Energética de Goiás (Celg).
Caiado não declarou apoio a nenhum candidato ao governo e dispara: "Políticos de Goiás precisam superar diversidades, deixar a campanha de lado e lutar pela solução imediata do problema." Confira os principais trechos da entrevista ao Diário da Manhã.
Diário da Manhã - Como o se-nhor vê a situação da Celg?
Ronaldo Caiado - A Celg hoje é um paciente sem responsáveis pelo seu tratamento, que caminha para o óbito. A situação da Celg virou queda de braço de candidatos ao governo de Goiás sem visão de estadista.
Procuram achar culpados e não param suas campanhas para discutir e encontrar soluções para a maior empresa do Centro-Oeste.
DM - Deputados e candidatos dizem que, por envolver endividamento, o próximo governo é quem deveria fechar o acordo.
Caiado - A melhor opção para a recuperação da Celg seria o acesso à Reserva Global de Reversão (RGR) da Eletrobras, que é um fundo para programas de universalização de acesso da energia elétrica e incentivo a fontes de geração limpas. O problema é que protelaram a votação do projeto e a Celg perdeu a chance de ter acesso ao dinheiro. E o detalhe é que seria aberta um exceção para que o RGR fosse usado na compra de ações da Celg com taxas excelentes. Mas o assunto foi tão procrastinado que perdemos isso. Agora discute-se um novo empréstimo e novamente vem à tona a tese do adiamento. A Celg e o setor produtivo não irão suportar.
DM - Mas faltam menos de cinco meses para o novo governo assumir.
Ronaldo Caiado - Se houver mais um adiamento, o mercado não terá coragem de investir na Celg por causa das instabilidade políticas. É preciso entender que a qualquer momento a Eletrobras poderá cassar a concessão de distribuição e produção de energia da Celg. Como ficariam os mais de 6 mil funcionários, que voltariam para os quadros do governo, e a imagem do Estado para atrair empresas e investimento? Sem contar que o Estado ficaria com uma dívida de R$ 6 bilhões.
Prejudicaria a criação de empregos e desenvolvimento da economia goiana, que depende de um setor energético desenvolvido em todos os setores, desde o agronegócio ao da saúde.
DM - E por que chegou a esse ponto?
Caiado - Isso é culpa de líderes políticos que preferem fazer palanque e não pensam no Estado. Quero lembrar aos de-putados estaduais que nós da oposição ao governo federal no Congresso sempre fomos articulados e duros contra as intempéries do governo. Mesmo assim aprovamos em urgência urgentíssima, em tempo recorde, todas as medidas provisórias editadas pelo governo para combater a crise mundial que começou em 2008. Tudo isso porque temos responsabilidade com a economia e com o povo brasileiro. Se fôssemos atuar sem pensar no País, teríamos prorrogado por meses e meses as MPs que cons-tavam no pacote anticrise do governo. A Assembleia precisa fazer sua parte.
DM - Como o senhor classifica esse cenário?
Caiado - É algo que choca ver a Assembleia Legislativa não ter quórum e a Celg continuar assim, doente. Como deputado federal, não posso admitir, nem me calar diante desse jogo tão mesquinho e baixo por parte de alguns políticos. Por onde passo e converso, o sentimento de todos é para que esforços sejam concentrados na recuperação da Celg. Só assim vamos expandir o setor produtivo e tornar nosso Estado atrativo para empresas e novos investimentos.
DM - A sociedade goiana está a par do assunto da Celg?
Caiado - Todos os níveis da sociedade goiana estão atentos. Se parlamentares e candidatos ao governo não se conscientizarem, se a concessão da Celg for cassada, essa omissão será repudiada por todos os goianos e a resposta poderá vir nas urnas. Políticos de Goiás precisam superar diversidades, deixar a campanha de lado e lutar pela solução imediata do problema.














