Opresidente do diretório regional do DEM, deputado federal Ronaldo Caiado (DEM), descartou, em entrevista ao programa Tribuna Independente, da Rede Vida, a fusão do partido com o PSDB. A junção das siglas foi ventilada principalmente após o esvaziamento do DEM, que perdeu deputados federais, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e demais filiados para o PSD. Segundo ele, a sigla está sólida, perdeu a gordura e viverá seu grande momento em 2014. Objetivo nas respostas e transparente na defesa de seus princípios, Caiado não dissimula: “Trabalho muito para governar Goiás”.
O HOJE – Qual o futuro do DEM? Vai acabar ou sobreviver?
Ronaldo Caiado – O DEM está sólido e vai continuar. As ações no sentido de destruir as oposições no Brasil é um jogo montado com a máquina de governo e também uma ação de um membro do partido, que era o (Gilberto) Kassab, prefeito de São Paulo, e que era, sem dúvida, a figura que tinha o cargo mais importante da legenda. O partido deu a ele todo apoio no momento em que ele era uma simples figura.
O partido exigiu que ele fosse o vice de José Serra (PSDB). Ele na verdade só chegou lá porque o partido depositou toda a esperança.
Foi eleito e nesse momento o partido em 2010 não lançou candidato a governador, e pagou exatamente a fatura da campanha em São Paulo. Já que houve um gesto de apoio a Kassab em São Paulo, teve o gesto da reciprocidade do PSDB de Serra e assim foi eleito prefeito. Esse foi o processo que aconteceu. O partido espera no mínimo o gesto da reciprocidade de uma pessoa que em todos os momentos o partido alicerça, apoia e ajuda. O líder é aquele que estende a mão, que vai resgatar e recolher os feridos depois do embate. O partido esperava de Kassab o gesto da gratidão.
Que tipo de gratidão. Cargos?
Isso não faz parte da nossa discussão. Esse negócio de mensalão, cargos, propina, aumentar patrimônio, isso não é coisa nossa. O DEM faz política com princípios e propostas.
O senhor está jogando nas costas do prefeito de São Paulo, mas o DEM perdeu peças importantes nesse jogo, como o único governador que tinha, do Distrito Federal, José Roberto Arruda, envolvido no mensalão e o presidente de honra, Jorge Bornhausen.
Eles sempre estiveram nas tetas do poder. Quando Kassab foi oposição? Jorge Bornhausen fez o jogo de lavar as mãos, no entanto, esteve presente no dia da convenção, fez o entendimento com o senador José Agripino, indicou Agripino como sendo nome de consenso, indicou o vice-presidente Índio da Costa, indicou à época o senador Marco Maciel como presidente do conselho, indicou o deputado Marcos Monte como secretário-geral. Todos assinaram a concordância com aquela chapa que foi montada. Depois a cada momento José Agripino era surpreendido e a cada dia ele recebia um parlamentar que se desligava do partido com vínculos e ações diretas de Kassab e de Jorge.
Mas será que Kassab tem essa força toda?
Poucas pessoas resistem à tese que foi vendida, de que Lula (PT) foi presidente por oito anos e Dilma Rousseff (PT) será presidente por quatro anos e depois voltará Lula (PT). De que você já está cansado de ser oposição e que é hora de ser governo. Isso fez com que muitas pessoas fossem nesse canto das sereias.
Quando Jorge Bornhausen começou a seguir outro caminho no partido?
Exatamente no dia em que o deputado ACM Neto ganhou do candidato apresentado por ele para ser o líder. Foi a primeira vez em que ele perdeu. No momento em que a ampla maioria indica ACM Neto para líder da bancada, ele não digeriu aquilo. É a utilização da máquina. Em política é muito fácil quando se está com a máquina de governo.
É hora de darmos condições para que o Democratas cresça, porque a sociedade está reconhecendo que vale a pena ter oposição. Quase 50% da população disse não ao governo, mas só 17% do Congresso Nacional é oposição. Por que aderir? Não tem respeito com o eleitor? Por emendas do orçamento, cargos, benesses, outras? E de repente eu esqueço o voto que recebi na base. Isso é cíclico. Hoje o momento do Democratas é esse, em 2012 será outro e, em 2014 você verá o grande momento do partido.
Como o senhor avalia os quadros do PSD?
Esse partido tem mais deputados do que o Democratas, mas qual é o quadro para disputar as eleições nas capitais? O DEM compete bem no Ceará, em Sergipe, em Campo Grande, em Manaus, em Salvador e em Goiânia, com o senador Demóstenes Torres. Em São Paulo, estamos estudando, mas dentro da composição que está sendo feita, há várias personalidades que pretendem também disputar.
O senhor acha que pode haver uma grande fusão entre as oposições, como disse o senador Aécio Neves (PSDB)?
Com todo respeito ao Aécio Neves, ele decide pelo PSDB. No Democratas, decidimos nós. Não existirá fusão do DEM com o PSDB. Até porque o partido tem o quarto maior tempo de rádio e televisão; tem condições e quadros para disputar as eleições de 2012. O partido, fazendo capitais importantes do Brasil, chega com cacife real para disputar 2014. O governo começa a entrar no processo de fadiga de material. A estrutura do PT já começa a desmoronar.
O senhor pretende voltar a ser candidato a presidente da República?
Todos nós sonhamos um dia em presidir o País, mas agora trabalho muito para governar meu Estado. Não tive sucesso na minha eleição para presidente e nem para governador em 1994. Desde então eu tenho trabalhado muito para chegar ao governo de Goiás.
Como limpar a imagem do Democratas, após o mensalão do DEM?
Qualquer um de nós está sujeito amanhã a ter um problema familiar, na empresa ou no lugar em que trabalha. Haverá sempre alguém que fere a ética, a dignidade, a transparência e a moralidade. Ou você põe para debaixo do tapete e tenta achar desculpas para o problema, ou você tem a coragem de encarar e fazer com que aquela pessoa que está denegrindo a imagem do partido seja colocada para fora.
Mas a ideia do PPS é tomar os mandatos.
Lógico. Vamos buscar os mandatos de todos, desde que haja uma decisão do Supremo que alicerce o nosso pedido de requerer os mandatos que o partido perdeu.
O deputado federal Heuler Cruvinel deixará o DEM?
Hora nenhuma ele disse que sairá do partido. Pelo contrário, está firme conosco e cada vez mais consciente. Em Rio Verde, temos também o prefeito Juraci Martins, médico, que está com excelente avaliação.
O prefeito Kassab é uma criação de José Serra. O senhor vê o PSD também como uma criação de Serra?
Não diria que ele foi o criador, mas autorizou. Sabemos que, quando um político mexe uma pedra no tabuleiro, não foi bem ele quem mexeu. Kassab não tem essa independência toda que alega ter.
O que o senhor achou do governo do ex-presidente Lula (PT)?
Lula é um ilusionista. Um partido que votou contra o plano real, contra a assepsia dos bancos, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. Onde é que foi votado o primeiro fundo de combate à pobreza? No governo tucano. Ali que iniciou o processo, mas foi uma escalada, ou seja, como uma construção.
Como acabar com a compra de votos?
Se a distribuição do dinheiro for feita pelos partidos, de acordo com as regras que estipulamos no projeto, o dinheiro não será um fator determinante, porque o candidato vai pedir voto para o partido e não para ele. O cidadão não vai votar numa personalidade e eleger um outro deputado que não conhece, como acontece hoje. Ele irá votar numa lista onde saberá quem são as pessoas que estão representando aquele partido. Sem dúvida será difícil aprovar isso. Até porque já perdemos duas vezes. Contudo, não há sistema perfeito. Se nós criássemos pelo menos a tese de dinheiro repassado aos partidos e financiamento único e exclusivo, não haveria outra fonte de financiamento. O partido é quem irá gastar e não o candidato. Eu sou votado nos 246 municípios de Goiás. Sempre cultivei muito o voto de opinião. Nunca fiquei dependente de amarras de A ou de B. Esse é meu estilo.
O DEM vai aceitar de volta os políticos que não conseguirem se filiar no PSD?
Eles estão dentro da intimidade do DEM, continuam dizendo que são do partido, no entanto, estão fazendo um processo de destruição do próprio partido. Isso é inaceitável. Espero que o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha uma interpretação diferente ou exija dessas pessoas que se desliguem imediatamente do partido.














