Escolhido como membro da Comissão Especial da Reforma Política na Câmara dos Deputados e como coordenador da proposta no DEM, o deputado federal Ronaldo Caiado defendeu ontem que mudanças na estrutura do financiamento público de campanha e lista fechada para os partidos são as melhores ferramentas para tentar diminuir a corrupção e os gastos ilícitos durante as eleições. O presidente da Câmara, Marco Maia, disse ontem que, apesar de a comissão ter 180 dias para concluir seus trabalhos, espera uma conclusão antes do prazo.
Cada partido indicou integrantes, de acordo com o tamanho de suas bancadas. Para Caiado, a mudança de comportamento dos brasileiros na hora do voto será possível caso esses pontos da reforma política sejam aprovados no Congresso. "É preciso decidir se vamos ficar na cultura de votar em pessoa e ver uma campanha corrupta ou se o dinheiro do financiamento vai para o partido, permitindo a fiscalização dos gastos. Essa cultura (do brasileiro) tem produzido escândalos", afirmou.
Caiado disse que os deputados filiados ao DEM vão se reunir hoje para definir as propostas que pretendem apresentar à comissão. Ele explicou que vários aspectos da reforma ainda encontram divergências entre os democratas, mas que isso é natural: "Temos de debater. Há divergência em todos os partidos".
Apesar de já estar sendo discutida no Congresso há anos, o democrata acredita que a reforma poderá ser emplacada este ano sem cortes. Ele avalia que os temas que foram amplamente debatidos anteriormente e que o único empecilho seria formar a maioria para garantir a aprovação.
Assim como na semana passada quando o Senado instalou sua comissão de reforma política, também na Câmara a instalação foi cercada de pompa. O presidente Marco Maia fez questão de convidar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o vice-presidente da República, Michel Temer, os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Cézar Peluso, e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski, além do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para o ato de instalação. Peluso não pode comparecer e foi representado pelo vice-presidente do STF, Carlos Ayres Britto.
"Temos um quadro promissor para o avanço nessa área", disse o presidente da Câmara, tomando o cuidado de dizer que outras comissões, apesar de não conseguirem votar a reforma, produziram efeitos. Todos os convidados tiveram o microfone franqueado. Sarney fez questão de dizer que Câmara e Senado, com comissões sobre o tema, poderão convergir para um projeto comum, depois que cada Casa desenvolver seu texto.(Com Agência O Globo)
O Popular
Caiado prega reforma com lista fechada e financiamento público














