PSDB E PMDB são os mais votados e têm as maiores bancadas nacâmara dos deputadose na assembleia
Terceiro colocado no número de votos nominais e de legenda para deputadofederal em Goiás na eleição do último dia 3, o DEM é o partido que mais se fortaleceu no teste das urnas para cargos legislativos em Goiás, em relação à eleição de 2006.
Com 378.542 votos para deputadofederal (13,1% dos votos válidos), opartido viu sua votação crescer 59% em relação àquela de quatro anos atrás, quando, ainda com o nome de PFL, conquistou 237.993 eleitores (8,37% dos votos válidos). Para a Assembleia Legislativa, os votos da sigla caíram de 148.244 para 108.913, mas elegeram Hélio de Sousa e Nilo Resende.
O DEM fez em Goiás um dossenadores mais bem votados do Brasil:Demóstenes Torres foi reeleito com2.158.812 votos, o que corresponde a 44,09% dos votos válidos para oSenado. Na Câmara dos Deputados, opartido ampliou a bancada por Goiás, que tem na atual legislatura apenasRonaldo Caiado. Além de Caiado, reeleito com 167.591 votos - o terceiro mais votado de Goiás, atrás de Iris Araújo (PMDB) e Rubens Otoni (PT) -, também foram eleitos Vilmar Rocha e Heuler Cruvinel.
PSDB e PMDB mais uma vez fizeram as maiores bancadas, tanto na Câmarados Deputados quanto na Assembleia Legislativa. Em relação a 2006, ospartidos inverteram a posição. Quatro anos atrás, o PMDB teve mais votos do que o PSDB. Apesar de terem recebido o maior número de votos, ambos tiveram votação menor nesta eleição.
Em 2006, o PMDB conquistou 670.701 votos para deputado federal, número que caiu para 539.487 em 2010. O PSDB saiu de 618.332 para 551.819 votos neste ano.
O PT conquistou nesta eleição 45% a mais de votos para deputado federal do que em 2006 e elegeu o segundo mais votado, Rubens Otoni. O partidoteve 261.362 votos, 81.160 mais do que em 2006. Apesar do número expressivo, elegeu apenas umdeputado federal. Para deputadoestadual, o partido teve a quarta maior votação, com 293.927 votos, o que corresponde a 10,18% dos votos válidos apurados no Estado.
O PDT também teve um crescimento expressivo no número de votos paradeputado estadual: 372%. Em 2006, opartido teve 42.621 votos, número que saltou para 201.550 nesta eleição. Mais de 70% dos votos foram da deputada Flávia Morais, eleita com 152.553 votos. Para deputado estadual, o crescimento do partido foi menor: de 126.221 votos, em 2006, para 151.082 em 2010. Também aumentaram o número de votos para deputadoestadual PSC, PPS, PMN, PRTB e PTN. Tiveram redução PR, PTB, PP e PT do B. Para deputado federal, também aumentaram os votos PDT e PMN e sofreram redução PP, PTB e PR (antigo PL).
Alianças
As alianças partidárias tiveram reflexos distintos para PT e PSDB nestas eleições. Sozinho, o PT elegeu doisdeputados federais (Rubens Otoni e Pedro Wilson). Coligado com o PMDB, só conseguiu a reeleição de Rubens Otoni. "O PT aumentou o número de votos, mas a coligação só ajudou o PMDB", avalia o sociólogo Pedro Célio Borges, da Universidade Federal de Goiás (UFG). "Com o PSDB ocorreu o processo oposto, porque foi ele quem se beneficiou da aliança com o DEM", analisa.
Para o cientista político Sílvio Costa, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Goiás, não houve grande alteração na correlação de forças nos legislativos estadual e federal. Ele observa que ospartidos que compõem a base do atual governo federal fizeram a maioria dos eleitos.
"A oposição fez apenas 6 dos 17deputados federais", contabiliza Sílvio Costa, citando que PSDB e DEM fizeram três deputados federais cada. Apenas as vagas abertas pelos cinco atuais deputados que não disputaram a reeleição foram renovadas naCâmara dos Deputados.
Sílvio Costa ressalta que a expressiva votação do DEM o coloca em situação de equilíbrio em força política com o PSDB. "O DEM conquistou condições de alçar voo solo e um dos grandes anseios de Demóstenes Torres é sergovernador", analisa o cientista político. Ele também considera forte a possibilidade de distanciamento entre PSDB e DEM depois das eleições.
Para a Assembleia Legislativa, Sílvio Costa também não vê alterações significativas. Ele lembra que as posições só devem ser definidas mais claramente depois do resultado do segundo turno.
Legenda vive seu melhor momento, diz Caiado
Presidente estadual do DEM e terceirodeputado federal mais bem votado do Estado, Ronaldo Caiado diz que opartido vive seu melhor momento. Citando a votação do senadorDemóstenes Torres, que teve mais de 2,1 milhões de votos, a sua própria, e as dos deputados eleitos Vilmar Rocha e Heuler Cruvinel, Caiado diz que a boa performance do partido foi construída ao longo dos anos. "Isso não acontece da noite para o dia", afirma.
Os próximos passos, adianta Caiado, são já com vistas às eleições municipais de 2012. "Vamos lutar pelas prefeituras de Goiânia e dos maiores municípios do Estado", promete. "Opartido saiu desta eleição bastante fortalecido e vamos enfrentar novos desafios."
O presidente estadual do PSDB, Daniel Goulart, define seu partido como "desprendido" na composição de alianças partidárias. "Temos uma política muito diferenciada da do PMDB, por exemplo", alfineta. Ele pondera que, mesmo tendo perdido umdeputado federal - o partido elegeu três parlamentares em 2010 -, os eleitos aumentaram seus votos.
"Em 2006, elegemos uma bancada com dez deputados federais, contando os partidos coligados e agora fizemos três e o DEM também três; na eleição passada também tivemos uma contribuição decisiva para a eleição dogovernador (Alcides Rodrigues, do PP)", lembra. Ele explica que o PSDB perdeu alguns líderes para legendas menores, como PMN, mas destaca que ele saiu fortalecido, assim como os aliados.
Vice-campeão na disputa para aCâmara dos Deputados, com 171.382 votos, Rubens Otoni analisa que sua votação tem uma simbologia grande, principalmente por ser de um partidodo campo popular. Otoni reconhece que o PT tinha objetivos maiores: eleger dois deputados federais e cinco estaduais (elegeu quatro).
Já o presidente estadual do PR,deputado Sandro Mabel, destaca a votação de Vanderlan Cardoso, com mais de 500 mil votos. "O partido se fortaleceu", sustenta, apesar de o PR ter perdido votos tanto para a Câmaraquanto para a Assembleia.














