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“Não acredito em candidato de barra de saia”

Depois de ver passar a grande chance de entrar nas eleições em Goiânia com um candidato competitivo – que liderava as pesquisas –, o Democratas está disposto a negociar com os partidos da base para lançar nome único à Prefeitura. O presidente do DEM estadual, deputado federal Ronaldo Caiado, diz que é preciso reunir os partidos e buscar estabelecer critérios. “Eu nunca acreditei em candidato de barra de saia, de bolso de colete”, afirma.Ele sinaliza, porém, que nem todas as conversas com siglas governistas serão amistosas. A ressalva é ao PSD, que foi fundado levando grande parte das lideranças do DEM, tanto em nível nacional como regional. “É um partido que não existe politicamente”, alfineta, dando como certa a derrota do novo partido na disputa judicial por tempo de televisão proporcional à bancada.Caiado também alerta que o candidato da base na capital pode sofrer reflexo negativo pelo não cumprimento de promessas do governo estadual. “Não podemos tampar o sol com a peneira”, diz. Em entrevista ao Papo Político, na CBN Goiânia, o presidente do DEM falou do lançamento da pré-candidatura do vice-governador José Eliton, comentou possíveis critérios para a escolha do nome da base e reforçou as críticas à gestão petista em Goiânia e no País.O deputado disse que espera a articulação do ex-prefeito Nion Albernaz, coordenador do Conselho Político do PSDB, no sentido de reunir todos os presidentes de partidos para conversas sobre a união na capital. Veja os principais trechos da entrevista.

Pré-candidato

Eu já vinha discutindo com o senador Demóstenes Torres há vários meses. Em agosto do ano passado, ele já havia decidido comunicar a desistência. Eu pedi déssemos um tempo, avaliássemos melhor. Aí o partido fez um grande encontro em São Paulo, conversamos longamente e ele comunicou da desistência porque prefere encarar esse desafio no cenário nacional. O partido já havia deliberado que, na ausência do senador, o Democratas apresentaria o nome do vice-governador José Eliton Jr. O partido já estava preparado e lança um nome competitivo, de um homem preparado, capaz, que vai elevar o nível do debate na capital e que se mostrou competente nesse curto espaço de tempo como vice e como presidente da Celg. O partido está muito bem representado.

Próximos passos

Já temos uma certa experiência em relação a isso. Não é um processo fácil. Eu estive com o professor Nion Albernaz na semana passada e disse da necessidade de ele nos chamar para uma reunião, chamar os presidentes de partidos, ver se é possível alcançar critérios que possam ser colocados. Temos de ver se alguns já se posicionaram, como é o caso do deputado Jovair Arantes. Tem de ver se isso é irreversível. Se for, temos que respeitar. Agora, se for possível construir critérios, mais do que nunca eu estou de acordo.

Critérios

Sempre defendi a tese de um candidato que venha a ter realmente a perspectiva de vitória, que tenha discurso, credibilidade, independência moral, intelectual, e capacidade realmente de resgatar a autoestima do goianiense neste momento em que (a cidade) aparece mais nas páginas policiais, com as ruas esburacadas, com a criminalidade. O goianiense quer alguém que possa governar com mais capacidade, envolvendo mais a sociedade no sentido de resgatar a nossa linda cidade. Vejo que são critérios subjetivos. Estou disposto a sentar e discutir. De maneira nenhuma, o Democratas é empecilho neste momento. Eu nunca acreditei em candidato de barra de saia. Nunca acreditei em candidato de bolso de colete. Nunca acreditei em candidato que não tenha a competência de alavancar uma candidatura, que não tenha discurso, um mínimo de carisma e competência para discutir os assuntos de uma cidade tão importante como a nossa capital.

PSD

Isso (posicionamento sobre o PSD) já é uma decisão do Democratas nacional. Esse partido não existe politicamente porque não tem nem tempo de rádio e televisão. Como vai participar de um processo eleitoral? Então realmente ele (PSD) vai passar por um momento difícil nesse processo de 2012. Eles teriam só aqueles segundos mínimos de rádio e TV. E realmente a opção deles talvez deva ser a mesma do cenário nacional. Como o (Gilberto) Kassab (prefeito de São Paulo e maior líder do partido) já decidiu a opção pelo PT, esse assunto talvez tenha também a continuidade aqui no Estado. Como passou a ser um partido apendicular das decisões do PT nacional, realmente acho que terão certa dificuldade em fazer uma opção em Goiás, já que no cenário nacional tudo leva a crer que o PSD vai se aliar com o PT. Então é um assunto que não é tão importante nem relevante para levarmos a continuidade dessa discussão aqui na capital. O Democratas e o PSDB têm quase o mesmo tempo de rádio e televisão, isso é importante numa campanha eleitoral, e agora vamos tentar aglutinar também os outros partidos.

Mais de um nome

Acredito que o professor Nion vai nos convidar para uma reunião e aí colocaremos nossas posições, avaliaremos critérios e aí vamos para uma discussão maior. Vamos nos apegar agora às coisas maiores desse problema, porque não é fácil chegar a um nome de consenso. Se não for possível, vamos para as regras do sistema eleitoral brasileiro. Não vamos também fazer disso aí um grande cavalo de batalha. Se não for possível, vamos considerar que existem dois turnos e cada partido apresenta seu candidato, já com a definição de disposição para ficarmos juntos no segundo turno.

Desgastes do governo

Sem dúvida alguma, tem o reflexo na eleição municipal (o não cumprimento de promessas do governo estadual). Não podemos negar isso. É uma realidade. Vamos fazer uma análise bem fria. O prefeito tem todo apoio do governo federal para alavancar todas as suas obras, seu plano de governo. O Estado de Goiás passa por momento delicado. Você vê que as estradas no Estado estão em situação calamitosa. Não podemos tampar o sol com a peneira. Isso é uma realidade. A situação da saúde é grave. Agora, é um assunto que tem de ser discutido. O governo federal, por exemplo, cortou R$ 5,5 bilhões do Orçamento para a saúde. É algo inimaginável, inaceitável. O cidadão que depende do SUS está morrendo na fila, não há estrutura para atender e, no entanto, o governo federal faz esse corte. Mas voltando à pergunta original, haverá um reflexo negativo, sim. As pessoas querem que as coisas aconteçam o mais rápido possível e é obrigação nossa responder rapidamente aos compromissos que foram feitos. Sabemos das dificuldades que (o governo estadual) tem passado, mas o governante tem de superar tudo isso. Ou senão, não podia estar prometendo. Então é um momento delicado.

Críticas ao PT

A sociedade também está vendo as prioridades que o PT está tendo no seu governo. Aparelham governo, aumentam cada vez mais a máquina, aumentam cada vez mais tributos, e cada vez emagrecem mais a receita dos Estados e dos municípios, que estão hoje asfixiados. Qual é o prefeito, o governador, que vive dentro do atual sistema? Aqueles que são ligados diretamente ao governo federal, aqueles que são subservientes à estrutura da União. Então passou a ser um processo concentrador. E temos de insurgir contra isso. Não é possível continuarmos com um modelo em que cada vez mais a União sufoca qualquer continuidade ou gestão de um partido que seja de oposição no cenário nacional.

Fabiana Pulcineli