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Com conivência do PT, Brasil criou estado paralelo do crime que governa parte do país e aterroriza todos os brasileiros, diz Caiado em coluna

 

Na sua coluna inaugural de 2017 na Folha de S. Paulo, o senador Ronaldo Caiado abordou o estado paralelo do crime que governa parte do país e aterroriza todos os brasileiros. Na visão do líder do Democratas no Senado, essa crise do sistema carcerário evidencia a falência do estado que não consegue garantir segurança nos presídios e muito menos fora deles. Para ele, só uma reforma profunda do Estado terá resultado efetivo e criticou a negligência de vários governos que foi agravada e até estimulada pelo PT consolidando essa grave situação em facções criminosas controlam as penitenciárias com tentáculos em vários pontos do poder.

“Sem uma reforma em profundidade do Estado, que o desinche, dê-lhe transparência e governabilidade, os planos de segurança, embora indispensáveis, serão sempre paliativos. Tais como também, diga-se de passagem, os planos econômicos e tudo o mais. Sanear o Estado é, acima de imperativo político e econômico, fundamento moral, sem o qual não teremos futuro”, opinou o parlamentar.

O senador enfatizou que o PT, enquanto esteve no poder, em vez de combater , ideologizou o crime, agravando o quadro. “A negligência de sucessivos governos, agravada e estimulada pelo PT, consolidou no país um Estado paralelo, que reina nas periferias das cidades, fazendo da parcela mais vulnerável da população escudo humano involuntário contra a ação repressiva da polícia. O PT, em vez de combater esse quadro, deu-lhe contornos ideológicos, associando criminalidade à pobreza, como se uma decorresse da outra, premissa que a Lava Jato desmente.

Na opinião de Caiado essa ideologização do crime aumentou a impunidade e criou uma inversão de valores em que a lei protege mais o bandido que a vítima. “A ideologização do crime, além de incrementar a impunidade, impôs absurda inversão de valores, vitimizando o bandido e vilanizando o policial. O contínuo abrandamento da legislação, sob a égide do discurso esquerdista e dos direitos humanos pelo avesso, fez o resto. Nesse contexto, o crime organizou-se, expandiu-se e lançou tentáculos sobre o próprio Estado”.

Confira a íntegra da coluna:

Estado oficial desconhece poder do Estado paralelo

O colapso do sistema penitenciário é a evidência mais alarmante da falência do Estado brasileiro. Se não consegue garantir a segurança nos próprios presídios, que dirá do lado de fora. E segurança pública é insumo elementar e imprescindível em qualquer regime político.

A negligência de sucessivos governos, agravada e estimulada pelo PT, consolidou no país um Estado paralelo, que reina nas periferias das cidades, fazendo da parcela mais vulnerável da população escudo humano involuntário contra a ação repressiva da polícia.

O PT, em vez de combater esse quadro, deu-lhe contornos ideológicos, associando criminalidade à pobreza, como se uma decorresse da outra, premissa que a Lava Jato desmente.

A ideologização do crime, além de incrementar a impunidade, impôs absurda inversão de valores, vitimizando o bandido e vilanizando o policial. O contínuo abrandamento da legislação, sob a égide do discurso esquerdista e dos direitos humanos pelo avesso, fez o resto.

Nesse contexto, o crime organizou-se, expandiu-se e lançou tentáculos sobre o próprio Estado.

Estão aí denúncias contra as mais diversas autoridades estatais – juizes, procuradores, parlamentares, governantes, funcionários públicos graduados. Atraídas pelos muitos milhões do narcotráfico e do contrabando de armas, a eles se associaram, permitindo que as coisas chegassem aos níveis atuais. Com a anuência de autoridades corrompidas e/ou intimidadas, esse Estado paralelo comanda a ação, sempre expansiva, da criminalidade, que hoje é urbana e rural e produz mais de 60 mil vítimas fatais por ano – índice de guerra civil.

Os recentes conflitos entre quadrilhas, em Manaus e em Boa Vista, evidenciaram, mais uma vez, que estar preso não significa estar fora de combate. Muito pelo contrário. Os presídios são fortalezas (e não o fim da linha) para o crime, onde funcionam como bunkers dos chefes desses grupos, que de lá planejam e comandam os seus asseclas. São hoje cerca de 20 corporações criminais (o termo “quadrilha” é modesto para as dimensões adquiridas), em que pontificam os notórios Comando Vermelho e PCC sempre em luta por hegemonia.

O Estado oficial desconhece o tamanho real e o poder destrutivo do Estado paralelo, em regra mais bem equipado e adestrado. O PCC, por exemplo, se gaba de possuir 200 mil adeptos, embora os órgãos de segurança o avaliem na escala de 20 mil.

Essas facções criminosas, que governam parte do país – e o infernizam por inteiro – não se improvisaram. Estão há décadas no noticiário, já foram temas de filmes, livros, teses universitárias.

Ao que parece, apenas o Estado oficial não os percebeu ou não lhes deu maior importância – ou, ao contrário, viu neles, na fatídica Era PT, aliados essenciais para o projeto revolucionário bolivariano.

Há muito, a esquerda revolucionária constatou que a marginália, não os proletários, como supôs Marx, é que constitui o exército revolucionário por excelência, pela ausência de valores morais e pela falta de consciência de classe.

Em decorrência, tem-se hoje no Brasil um Estado impotente para combater o crime. Cobra uma das mais altas cargas tributárias do planeta e não tem meios de entregar uma das mercadorias mais básicas de um contrato social, que é a segurança pública.

Sem uma reforma em profundidade do Estado, que o desinche, dê-lhe transparência e governabilidade, os planos de segurança, embora indispensáveis, serão sempre paliativos. Tais como também, diga-se de passagem, os planos econômicos e tudo o mais.

Sanear o Estado é, acima de imperativo político e econômico, fundamento moral, sem o qual não teremos futuro.

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Batismo das urnas é única forma de a classe política recuperar credibilidade, diz Caiado em sua coluna na Folha

Em sua última coluna de 2016 na Folha de S. Paulo, o senador Ronaldo Caiado (GO) reforçou que a recuperação da credibilidade da classe política passa, necessariamente, pela prova de fogo das urnas. O parlamentar reiterou sua opinião de que a antecipação das eleições é fundamental para encurtar o abismo entre Estado e sociedade que foi amplamente agravado este ano, marcado pelo movimento espontâneo do povo que se organizou, foi às ruas e pediu fim da corrupção, melhoria da gestão pública e o impeachment da agora ex-presidente Dilma Rousseff.

“Credibilidade é a palavra-chave. Precisamos readquiri-la. Sem ela, o abismo entre sociedade e Estado irá se aprofundar e o país ingressará de uma vez num quadro de anomia, cujo desfecho é imprevisível. Há chances para uma saída pacífica e construtiva, desde que a classe política se submeta ao batismo purificador das urnas”, destacou Caiado na coluna.

O líder do Democratas no Senado enfatizou que o povo não se sente representado pela classe política e apontou a fragilidade do Congresso e do governo que não tem conseguido fazer as mudanças que o país precisa.

“O povo sente-se traído. Por essa razão, propus a antecipação para 2017 das eleições no âmbito federal, abrangendo Congresso Nacional e Presidência da República. Nada de pessoal contra o presidente Michel Temer, mas é inegável que seu governo, com seis ministros já afastados no rastro de denúncias, e ele próprio já citado nas delações da Odebrecht, fragilizou-se e perdeu sintonia com as ruas. Objetivamente, governo e Congresso não têm autoridade moral para efetuar as reformas indispensáveis: previdenciária, trabalhista e tributária, entre outras. Pelo alcance e profundidade, e pelo sacrifício que impõem à população, exigem credibilidade por parte de quem as encaminha”, disse.

Confira a íntegra da coluna:

O batismo purificador das urnas

O ano de 2016 foi, sem dúvida, um dos mais significativos de toda a história republicana brasileira. Marca o advento de uma opinião pública genuína, à margem da opinião publicada.
As multidões, aos milhões, ocuparam as ruas de todo o país à revelia da mídia, das lideranças políticas e das corporações trabalhistas. Todas, sem exceção, perderam interlocução e credibilidade com a sociedade, que hoje dispensa intermediários.
A população articulou-se pelas redes sociais e uniu-se em torno de bandeiras comuns, sem cunho ideológico. Pedia ética na política, transparência nas contas públicas e, numa palavra, justiça aos maus agentes públicos. Não é mais possível governar o país como antes, nem mais se admite um Estado isolado em torres de marfim.
A sociedade mostrou-se ciente não apenas dos danos decorrentes da corrupção, mas também do mau uso dos impostos, que configuram uma das mais altas cargas tributárias do planeta, sem a contrapartida dos mais elementares serviços públicos.
Se o país exibe péssimos índices na educação e oferece saúde e segurança públicas desqualificadas, não é por falta de recursos, mas pelo desvio e mau uso deles. De toda essa mobilização popular, resultaram o impeachment da presidente da República e o desmascaramento de seu partido, o PT, cuja ação predadora conjugou corrupção e má gestão, em níveis sem precedentes.
O efeito colateral desse processo é o descrédito generalizado da classe política. Os justos (e os há) pagam pelos pecadores. O povo sente-se traído.
Por essa razão, propus a antecipação para 2017 das eleições no âmbito federal, abrangendo Congresso Nacional e Presidência da República. Nada de pessoal contra o presidente Michel Temer, mas é inegável que seu governo, com seis ministros já afastados no rastro de denúncias, e ele próprio já citado nas delações da Odebrecht, fragilizou-se e perdeu sintonia com as ruas.
Objetivamente, governo e Congresso não têm autoridade moral para efetuar as reformas indispensáveis: previdenciária, trabalhista e tributária, entre outras. Pelo alcance e profundidade, e pelo sacrifício que impõem à população, exigem credibilidade por parte de quem as encaminha. As delações em curso, que obviamente precisam ainda ser depuradas, comprovadas e hierarquizadas, lançam suspeitas sobre toda a classe política e as instituições do Estado.
Nem os políticos, nem os ditos movimentos sociais e as corporações falam mais pela população. E esse é um fenômeno que só a renovação de todo o ambiente político-institucional, via eleições diretas, pode curar. Incluo o mandato ocupado por mim no que proponho.
Quem não deve, não teme as urnas, e o povo saberá separar o joio do trigo – aliás, só ele poderá fazê-lo. Não significa que o novo presidente estará investido de dons miraculosos. Mas, com certeza, terá autoridade moral, delegada pela maioria, para encaminhar as mudanças necessárias. E são mudanças urgentes, a serem debatidas e explicitadas no curso da campanha.
As contas do país estão exauridas. A aprovação da PEC do teto dos gastos públicos foi fundamental, mas insuficiente.
Credibilidade é a palavra-chave. Precisamos readquiri-la. Sem ela, o abismo entre sociedade e Estado irá se aprofundar e o país ingressará de uma vez num quadro de anomia, cujo desfecho é imprevisível. Há chances para uma saída pacífica e construtiva, desde que a classe política se submeta ao batismo purificador das urnas.
Nesses termos, 2017 pode ser um ano ainda mais marcante na consecução de uma meta a que todo o país aspira: a refundação da República. Uma República que faça jus a seu nome. Feliz ano novo!